Ciências Biomédicas | Titular

Haity Moussatché

Data de Posse: 01/01/1953
Data Falecimento: 24/07/1998

Haity Moussatché foi um médico, bioquímico, pesquisador e professor universitário brasileiro. Nascido em Esmirna, Turquia, em 21 de fevereiro de 1910, Haity Moussatché imigrou para o Brasil aos três anos. Formou-se em medicina pela Universidade do Brasil e em 1930, ingressou no Instituto Oswaldo Cruz como estagiário, tendo sido contratado em 1937. A partir daí foi assistente, biólogo, professor, pesquisador e chefe da Seção de Farmacodinâmica.

Tornou-se membro da Academia Brasileira de Ciências (1953), da Academia de Ciências de Nova York (1959), da Federação Mundial de Trabalhadores Científicos (1959) e integrou os conselhos científicos da Revista Brasileira de Biologia (1953) e da Acta Fisiológica Latino-Americana (1955). Entre 1958 e 1964, chefiou a Seção de Fisiologia. Moussatché foi um dos criadores da Universidade de Brasília e da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

Em 1970, no episódio conhecido como Massacre de Manguinhos, foi cassado e perdeu seus direitos, seguindo para Venezuela, onde trabalhou na Universidade Centro-Ocidental Lisandro Alvarado, aceitando o convite de Fernando Ubatuba. Em 1971, transferiu-se para a universidade venezuelana, onde passou a responder pela docência em fisiologia e farmacologia. Sua permanência naquele país – a princípio provisória, acabou se prolongando por 14 anos. Assim, em 1972, assumiu a chefia da unidade de pesquisa em ciências fisiológicas da Escola de Veterinária. Em 1975, tornou-se professor titular e, até 1985, exerceu a presidência do Conselho Assessor de Investigação e Serviços (CADIS). Durante esses anos, desenvolveu investigações farmacológicas, fez estudos sobre o fígado gordo e iniciou experimentos visando esclarecer o mecanismo de resistência que certos marsupiais (o gambá, por exemplo) apresentavam ao veneno da Bothrops jararaca.

Foi convidado em 1985 a retornar ao país, para reorganizar o Departamento de Fisiologia e Farmacodinâmica junto com Tito Cavalcanti, já com Sérgio Arouca à frente da Fiocruz. Retomou o estudo que vinha desenvolvendo na Venezuela sobre o mecanismo de resistência de animais ao veneno de cobras, tendo em mira obter soro antiofídico mais eficiente do que o fabricado hoje. Ainda em 1986, recebeu o prêmio Golfinho de Ouro do Governo do Estado do Rio de Janeiro.

Haity foi fundador da International Society of Toxicology e da Sociedade de Biologia do Brasil; da Associação Venezuelana para o Progresso da Ciência (1974) e da Academia de Ciencias da América Latina (ACAL). Engajour-se na Associação para a Criação do Parlamento Mundial (1990), “saudável utopia iluminista reavivada por homens de ciência renomados que se congregaram com o fim de conceber e difundir uma constituição universal, capaz de promover o entendimento entre as nações”. Em 1993, foi condecorado na Venezuela e, um ano depois, o governo brasileiro agraciou-o com a Ordem Nacional do Mérito Científico, na classe Grã-Cruz.

Seus últimos trabalhos versaram sobre uma glicoproteína isolada de gambá, que tem atividade protetora contra o veneno de cobras Bothrops jararaca. Haity faleceu em 24 de julho de 1998.