Frederico Carlos Hoehne (1882-1959) foi um botânico brasileiro, nascido em Juiz de Fora, Minas Gerais, um dos oito filhos de um casal de imigrantes alemães. Foi um dos primeiros cientistas brasileiros a empreender estudos sistemáticos, abrangentes e de longa duração sobre a flora nativa.
Hoehne passou décadas estudando continuamente a flora brasileira, alternando viagens de campo com extensos períodos de trabalho de laboratório, herbário e pesquisa em instituições brasileiras. Formou coleções que permaneceram no país e serviram de base para os estudos de outros cientistas. Foi uma figura central da botânica no país no início do século XX e um dos primeiros membros da Academia Brasileira de Ciências, desde sua fundação em 1916.
Numa fase de escassos investimentos na ciência, fez carreira no serviço público começando como jardineiro-chefe do Museu Nacional do Rio de Janeiro, passando por botânico da Expedição Científica Roosevelt-Rondon, botânico do Horto Oswaldo Cruz, chefe da Seção de Botânica do Museu Paulista, chefe da Seção de Botânica e Agronomia do Instituto Biológico, diretor-superintendente do Departamento de Botânica do Estado e, por fim, diretor do Instituto de Botânica, instituição em cuja criação teve papel decisivo. Em 1952, recebeu o título de Servidor Emérito do Estado de São Paulo.
Atuou especialmente em sistemática vegetal, orquidologia e fitogeografia. Foi autor de estudos sobre epífitas, cinchona, plantas tóxicas e medicinais, plantas aquáticas e mais de 50 artigos sobre a flora local de São PauloSua principal obra, Flora Brasilica, foi iniciada em 1940 e continuada após sua morte por Alcides Ribeiro Teixeira. Defendeu a proteção da natureza durante toda a sua vida, sendo o pioneiro no tema entre os cientistas do país.