Anna Eliza Jenkins foi uma micologista norte-americana de destaque, com contribuições fundamentais para a fitopatologia, especialmente no estudo de fungos causadores de doenças em plantas de importância econômica. Nascida em uma fazenda próxima a Walton, no estado de Nova York, em 1886, teve uma formação inicial marcada pela simplicidade: frequentou uma escola rural de uma única sala de aula, que atendia alunos de diferentes idades e níveis de escolaridade.
Após concluir o ensino secundário na Walton High School, em 1907, Anna Jenkins deixou a casa da família para ingressar na Universidade Cornell, em Ithaca, Nova York. Nessa instituição, obteve o título de bacharel em 1911 e o grau de mestre no ano seguinte. Posteriormente, realizou estudos adicionais na própria Universidade Cornell e na Universidade George Washington, onde concluiu o doutorado em 1927, consolidando sua formação acadêmica em micologia e fitopatologia.
Desde 1912, Anna Eliza Jenkins esteve vinculada ao Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), instituição na qual desenvolveu a maior parte de sua carreira científica. Seus primeiros trabalhos concentraram-se na taxonomia e no estudo dos ciclos de vida de fungos novos ou pouco conhecidos, muitos deles de grande relevância econômica. Com o passar dos anos, ampliou sua atuação para o estudo de fungos fitopatogênicos responsáveis por doenças em diversas culturas agrícolas.
Sua especialidade tornou-se o estudo das chamadas “antracnoses de manchas”, particularmente aquelas causadas por fungos dos gêneros Sphaceloma e Elsinoe. Desenvolveu pesquisas detalhadas sobre patógenos que afetam plantas como a amoreira (Sclerotinia), o cânhamo (Botryosphaeria), o feijão-lima (Elsinoe) e diferentes espécies de rosas, contribuindo para o avanço do conhecimento científico e para estratégias de controle de doenças agrícolas.
Jenkins manteve intensa colaboração científica internacional, com destaque para sua relação com o Brasil. Visitou o país em diversas ocasiões e publicou trabalhos em coautoria com o fitopatologista brasileiro Agesilau Antonio Bitancourt. Juntos, editaram a série de exsicatas Myriangiales selecti exsiccati, importante referência para o estudo sistemático de fungos, que contribuiu para a padronização e disseminação do conhecimento micológico.
Em reconhecimento à sua contribuição científica e à sua relação com a comunidade científica brasileira, Anna Eliza Jenkins foi eleita membro correspondente da Academia Brasileira de Ciências em 1956. Três anos depois, em 1959, recebeu a Medalha de Mérito Dom João VI, honraria concedida a personalidades estrangeiras de destaque.
Seu legado científico também se reflete na taxonomia: diversos táxons de fungos foram nomeados em sua homenagem, entre eles Stilbocrea jenkiana, Sphaceloma annajenkinsii e o gênero Annajenkinsia. Sua trajetória exemplifica a relevância das mulheres na consolidação da ciência no século XX, bem como a importância da cooperação científica internacional. Faleceu em 1972.