Walter Oswaldo Cruz foi um foi um médico, cientista e enxadrista brasileiro. Filho caçula de Oswaldo Cruz e Emília Fonseca Cruz, nasceu em 23 de janeiro em 1910 em Petrópolis (RJ). Perdeu o pai, fundador da Fiocruz, aos sete anos. Era aluno aplicado, tendo estudado os antigos primário e ginásio no Colégio Aldrige, prestando os exames finais do secundário no Colégio Pedro II.
Transferiu-se para o Rio em 1926, com o objetivo de ingressar na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. De 1928 até a conclusão do curso, Walter fez estágio voluntário no Hospital de Doenças Tropicais do Instituto Oswaldo Cruz (atual Hospital Evandro Chagas) e, em 1929 começou os estudos de hematologia experimental com Carlos Chagas. Após os dois primeiros anos, ingressou no famoso e tradicional Curso de Aplicação do IOC, formador de pesquisadores e especialistas importantes.
Em 1934 publicou o seu primeiro artigo “A patogenia da anemia ancilostomática”, nas Memórias do Instituto Oswaldo Cruz. Fez estágios na Alemanha, Estados Unidos e Inglaterra, onde desenvolveu estudos hematológicos, a partir de 1936. Ao retornar ao país, assumiu a chefia da Seção de Hematologia do Instituto, cargo que ocupou até 1962. Durante este período fez estágios em Harvard e em Boston com enfoque nos estudos de malária e a anemia hemolítica. Com Haity Moussatché, publicou vários trabalhos sobre suas pesquisas relacionadas ao choque anafilactóide pelo soro anti-plaqueta em cães e à verificação de trombocitopenia decorrente da administração de uretana etílica.
Entre 1940 e 1941, estagiou no laboratório de George Whipple, em Rochester, Nova York, trabalhando com anemia experimental pela administração da fenilhidrazina, que resultou numa publicação no American Journal of the Medical Sciences, em 1942. Neste mesmo ano, estagiou na Universidade Johns Hopkins, com Maxwell Myer Wintrobe, completando seu estudo sobre anemia experimental no porco. Em 1945, com bolsa de estudos do Serviço de Saúde Pública, estagiou em vários laboratórios e centros norte-americanos: no Instituto Rockefeller, esteve no laboratório de Donald Van Slyke; na Escola de Medicina Harvard, estudou a malária experimental com Eric G. Ball e; em Boston, estudou anemias hemolíticas com William Dameshek.
Entre os anos de 1928 e 1953, disputou vários campeonatos nacionais e internacionais de xadrez, tendo sido campeão brasileiro em seis deles. Nomes internacionais como Alexander Alekhine, campeão mundial, em um certame empatou com Walter; o mestre cubano Capablanca, quando no Rio de Janeiro, era seu parceiro de tabuleiro e noites cariocas. Durante anos colaborou nas revistas especializadas: Xadrez e Xadrez Brasileiro. Tinha uma coluna semanal na revista O Cruzeiro. Escreveu o livro Repertório de Aberturas. Abandonou o xadrez quando disputou, um torneio internacional, realizado no Rio, e foi classificado em último lugar
A partir de 1950, suas pesquisas se direcionaram para hemostasia, com cerca de 130 publicações científicas, em revistas nacionais e estrangeiras. Em 1954, foi para Londres, estudar problemas relacionados ao choque e substâncias capazes de contraírem o íleo de cobaia in vitro. Em 1960, esteve na Wayne State University, em Detroit, para trabalhar com o Walter H. Seegers. Era palestrante em várias universidades no Brasil e no exterior
Foi um dos membros fundadores da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em 1949, mesmo ano em que criou o curso de Formação de Pesquisadores de Manguinhos. Walter engajou-se na campanha pela criação do Ministério da Ciência e participou também da criação da Universidade de Brasília, em 1960 e a Reforma Universitária, entre 1962 e 1963. Foi ainda assessor-técnico da Presidência da República.
Entre 1962 e 1964 exerceu a chefia da Divisão de Patologia do IOC, um dos cargos mais importantes da Instituição, o que lhe garantiu projeção internacional. Porém, por recomendação de Raymundo de Britto (1909-1988), ministro da Saúde do governo Castelo Branco, Rocha Lagoa, então diretor da Fiocruz, ordenou que todo e qualquer recurso destinado à instituição passasse pelo seu crivo. Walter foi acusado de propaganda subversiva e proselitismo político e deixou de receber os repasses vindos de instituições americanas, como as fundações Ford e Rockefeller, grandes financiadores da ciência na época. Seu laboratório foi fechado e lacrado pela própria instituição.
Walter passou por diferente inquéritos, punições, restrições, pressões e transferências depois disso. Foi demitido da direção do Departamento de Patologia, proibido de viajar ao exterior, de receber auxílio para pesquisa e foi submetido a uma Comissão de Inquérito. Seus últimos anos foram muito difíceis após a demissão da Fiocruz e o fechamento de seu laboratório. Sem ter como se defender da perseguição, Walter teve um infarto fulminante em 3 de janeiro de 1967, no Rio de Janeiro, aos 56 anos, deixando 130 artigos publicados em revistas nacionais e internacionais e quatro filhos.