Edgard Roquette-Pinto (1884-1954) nasceu no Rio de Janeiro e formou-se em medicina pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro em 1905, especializando-se em medicina legal. Defendeu a tese O exercício da medicina entre os indígenas da América e, posteriormente, recebeu o título de doutor honoris causa em fisiologia pela mesma instituição. Desde o início de sua carreira, destacou-se pela articulação entre ciência, educação e compromisso social.
Ingressou no Museu Nacional como professor assistente de antropologia e etnografia, tornando-se uma das figuras centrais da antropologia brasileira no início do século XX. Em 1911, representou o Brasil no Congresso de Raças, em Londres, e, em 1912, integrou a Missão Rondon, quando acompanhou a instalação de linhas telegráficas no interior do país e realizou registros pioneiros, inclusive filmagens, dos povos indígenas nhambiquaras. As pesquisas desenvolvidas nesse contexto resultaram na obra Rondônia (1916), síntese antropológica, botânica e geológica de grande relevância científica.
Roquette-Pinto foi membro fundador da Academia Brasileira de Ciências, tendo assinado a ata de fundação em 3 de maio de 1916. Integrou a Seção de Ciências Físico-Químicas e exerceu funções administrativas de destaque, como segundo secretário, primeiro secretário por quase uma década e vice-presidente no biênio 1931–1933. Representou a ABC em diversas missões institucionais, incluindo a recepção científica a Marie Curie durante sua visita ao Brasil, em 1926.
Em 1923, participou da comissão que tratou da introdução da telegrafia sem fio no Rio de Janeiro e, nesse mesmo ano, fundou, no âmbito da ABC, a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, com fins exclusivamente educativos e culturais. A iniciativa marcou o nascimento da radiodifusão educativa no país e consolidou Roquette-Pinto como o “pai do rádio” no Brasil. Em 1936, doou a rádio ao Ministério da Educação, dando origem à Rádio MEC.
Foi diretor do Museu Nacional entre 1926 e 1936, período em que fortaleceu a divulgação científica e organizou uma ampla coleção de filmes científicos. Fundou e dirigiu o Instituto Nacional de Cinema Educativo (INCE), orientando a produção de cerca de 300 documentários de caráter científico e educativo, muitos deles dirigidos por Humberto Mauro, com trilhas de Villa-Lobos.
Além da produção acadêmica, destacou-se como divulgador da ciência, autor de livros, artigos em jornais e revistas voltadas ao público leigo como a Radio – Revista de Divulgação Científica Geral (1923), a Electron, criada em 1926, e a Revista Nacional de Educação, de 1932 -, reafirmando a ciência, a educação e a comunicação como instrumentos centrais para a construção de uma sociedade democrática e informada.