A inteligência artificial e o futuro

18 de maio de 2021 Por (Ascom ABC)

Confira trechos do artigo de autoria de Virgílio Almeida, diretor da ABC, em conjunto com Francisco Gaetani, publicado no jornal Valor Econômico hoje, 18/5. O texto aborda os desafios para consolidação do futuro tecnológico do Brasil e a urgência da criação de políticas que viabilizem a modernização digital – do contrário, a economia do país pode ficar para trás. Virgílio é Faculty Associate with the Berkman Klein Center for Internet and Society na Universidade de Harvard e professor emérito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Três décadas de internet conectaram o mundo e o integraram em uma sociedade global, o que não significa que todos estejamos incluídos na esfera digital. Basta um breve exercício e imaginar a realidade da pandemia da covid-19, sem nossos dispositivos computacionais como smartphone, tablets e computadores para nos darmos conta de que já não concebemos mais a vida sem as possibilidades que a conectividade permite.

A inteligência artificial (IA) está embutida e cada vez mais potencializada na explosão de fenômenos associados ao avanço tecnológico, passando pelas plataformas de mídia social, internet das coisas, realidade aumentada, big data, blockchain, fintechs e todas mudanças em curso trazidas pela automação e transformação digital. Entretanto, perdido num presente confuso, cego para as oportunidades e as ameaças que o futuro digital apresenta, o Brasil parece ignorar o que vem pela frente.

Num recente debate na Universidade de Stanford, nos EUA, sobre o impacto da inteligência artificial na economia global, o prêmio Nobel de Economia, Joseph Stiglitz, traçou um cenário pessimista para os países em desenvolvimento como o Brasil. São três as principais razões que reforçam essa posição de Stiglitz. O potencial da IA para economizar mão de obra terá maior impacto em países com setores de produção e exportação intensivos em mão de obra. O potencial de IA para economizar recursos naturais irá causar impacto para os países exportadores de recursos naturais, mas com benefícios para os importadores. Por exemplo, a IA pode contribuir para reduzir a demanda por recursos naturais não renováveis. A concentração de poder tende a aumentar nas poucas empresas que dominam a tecnologia de IA, as chamadas “big tech’’, e nos poucos países que oferecem serviços de IA globalmente, com potencial para gerar grandes receitas para países avançados que dominam a IA. Qual a perspectiva para o Brasil nesse cenário?

O kit para o país se posicionar como um ator relevante na economia do futuro passa por três eixos essenciais: infraestrutura, força de trabalho qualificada e políticas públicas para a transformação digital. Além disso, para enfrentar esse futuro, os países em desenvolvimento precisariam também cooperar e se unir para ter poder suficiente para negociar regulamentação com os gigantes globais de tecnologia que reflita seus interesses.

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O Brasil teve momentos de lucidez coletiva importantes nas últimas décadas. Todos os governos, desde a redemocratização, acertaram estrategicamente em uma ou mais áreas. A inteligência artificial está transformando o mundo em velocidade crescente e vai mudá-lo ainda mais. O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação publicou recentemente uma Estratégia Brasileira de Inteligência Artificial. É pouco, muito pouco, frente ao desafio colocado para o Brasil em um mundo cada vez mais digital. O país segue ocupado demais em uma entropia dinâmica rumo ao passado, esquecendo de formular políticas públicas que pavimentem o caminho para um futuro moderno e inclusivo.

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A questão é: o Brasil precisa definir o que quer ser quando crescer. Alguns documentos publicados nos últimos anos sugerem que, a despeito de suas insuficiências, setores do Estado estão atentos ao problema. Mas o futuro digital depende principalmente do comprometimento da classe política, dos dirigentes empresariais, da academia e da sociedade civil. Nenhum país se desenvolve sem querer e trabalhar muito para isso.

Leia a matéria completa no site do Valor Econômico.