Davidovich defende investimento na ciência brasileira com uso do FNDCT

16 de abril de 2020 Por (Arthur Bomfim para NABC)

Em uma reunião do Conselho Deliberativo (CD) do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), realizada no fim do mês de março, pela internet, o presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), Luiz Davidovich, reforçou a importância dos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs) e defendeu um maior investimento na ciência. Representando a comunidade científica, juntamente com a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Davidovich também reforçou o posicionamento da comunidade sobre a urgência de descontingenciar os recursos para a ciência em 2020.

Os recursos do FNDCT são a principal fonte de financiamento da pesquisa científica no Brasil e são arrecadados por meio de impostos pagos por empresas. Com apenas R$ 600 milhões para o investimento em ciência e tecnologia liberados pelo governo e com uma demanda elevada pela pandemia do coronavírus, a comunidade científica pediu a disponibilização do total do fundo preso na reserva de contingência criada pela área econômica do governo – cerca de R$ 4,2 bilhões.

“Esses recursos vêm de impostos recolhidos pelas empresas para serem aplicados em pesquisas do interesse dessas empresas”, afirmou o presidente  da ABC, Luiz Davidovich, que afirmou que o orçamento do fundo tem sido desviado para compor o Tesouro Nacional. “Do nosso ponto de vista, isso é desvio de finalidade, os impostos não são aplicados onde devem e isso é grave”, declarou Davidovich.

Além do pedido para a destinação adequada do FNDCT, Luiz Davidovich lembrou a importância do investimento nos INCTs, que continuam fazendo pesquisas de alta qualidade e já contribuíram no enfrentamento de alguns problemas recentes vivenciados pelo país, como o derramamento de óleo nas praias do Nordeste e a tragédia de Brumadinho.

O presidente da ABC pediu uma revisão no Plano Anual de Investimentos Não Reembolsáveis para garantir recursos para o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Recentemente, o Ministério da Ciência, Tecnologia, inovações e Comunicações (MCTIC) havia zerado o investimento para a instituição, o que pode desestruturar o desenvolvimento da ciência brasileira.

Durante a reunião, Júlio Francisco Semeghini Neto, secretário-executivo do MCTIC, e Marcelo Morales, secretário de pesquisa do MCTIC, que participam do CD do FNDCT apoiaram o descontingenciamento de verbas solicitado pela comunidade científica e prometeram trabalhar com outras áreas para a liberação do dinheiro para a ciência, tecnologia e inovação (CT&T). Segundo Davidovich, as decisões foram tomadas sem qualquer posição contrária e têm peso, por envolverem setores da academia e da indústria.