pt_BR

George Bemski

Começou a estudar Engenharia, primeiro na UNAM do México, logo na Universidade da California em Berkeley. A transição ocorreu durante o serviço militar (1946-1947) quando decidiu que o seu interesse estava mais ligado à Física, por ser esta uma atividade mais fundamental.
A tese do Ph.D. concluída em 1953, estava ligada a feixes moleculares. A sua primeira experiência profissional consistia do trabalho em semicondutores no Departamento do Desenvolvimento da Bell Telephone Laboratories em Murray Hill, N.J. Este período coincidiu com o rápido desenvolvimento de transistores e do silício e germânio utilizados na produção de transistores. Estava envolvido nos estudos de tempo de vida dos elétrons nestes materiais, em função dos defeitos, principalmente das impurezas. Este foi um típico exemplo de pesquisa aplicada. Em um certo momento começou a estudar os defeitos produzidos pela irradiação com feixes eletrônicos. Esta linha evoluiu na direção da pesquisa básica na qual se tentava identificar os defeitos produzidos. Foi então transferido para o Departamento de Pesquisa.
Depois do período excitante na Bell Telephone começou a desviar-se na direção da Biofísica o que coincidiu com a sua saída da Bell e ida ao Brasil (1960-1964).
Sua permanência no Brasil foi muito interessante, já que foi simultânea com o começo das atividades experimentais no campo da Matéria Condensada neste país. Sua experiência resultou ser útil no Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas no Rio de Janeiro e na Universidade de São Paulo onde administrou os primeiros cursos de Matéria Condensada oferecidos nesta Universidade. É interessante notar que estas duas atividades foram apoiadas por dois físicos teóricos: José Leite Lopes no CBPF e Mario Schemberg na USP. Os dois eram conscientes da importância da Matéria Condensada no futuro desenvolvimento da Física no Brasil.
Em 1963 começou a trabalhar com bacteriófagos no CBPF, sua primeira atividade experimental na Biofísica. Por razões pessoais voltou aos Estados Unidos onde continuou o trabalho com bacteriófagos e se interessou em hemoglobinas no Albert Einstein College of Medicine em Nova York (1964-1967).
Continuou a trabalhar na Biofísica, primeiro no Albert Einstein, depois no IVIC na Venezuela e em seguida na PUC-RJ. Foi um caminho curioso que o levou de volta ao CBPF, depois de 18 anos.
Seu conselho é de não temer mudar de campos de atividade, ainda que às vezes isso pareça difícil. Acredita que existe algu humanamente satisfatório em não se restringir a um campo específico a vida inteira e não se tornar um especialista com interesses estreitos, fato infelizmente comum.

Gerhard Jacob

Gerhard Jacob nasceu em Hannover, Alemanha,é radicado no Brasil desde os cinco anos de idade, e é brasileiro naturalizado. Após sua formação acadêmica básica na Universidade Federal do Rio Grande do Sul e na Universidade de São Paulo, iniciou pesquisa em física nuclear teórica, com estágios na Universidade de Heidelberg, trabalhando sob a orientação de J.H.D. Jensen e B. Stech (dupla transição gama em núcleos) e na Universidade do México sob a orientação de M. Moshinsky (métodos matemáticos em física nuclear). De retorno ao Brasil, sob a orientação de Th.A.J. Maris, iniciou pesquisa em espalhamento quase-livre de prótons e elétrons em núcleos leves, área em que sua contribuição científica teve maior reconhecimento internacional. Esse trabalho continuou no Instituto Niels Bohr, em Copenhague, na Universidade de Heidelberg e no Centro Internacional de Física Teórica em Trieste. Trata-se da investigação da estrutura do núcleo atômico, especificamente do modelo de camadas, através do espalhamento de prótons [reações (p,2p), propostas por Maris, Hillman e Tyrén] e de elétrons [reações (e, e’p), propostas por Jacob e Maris]; um grande número de trabalhos teóricos e experimentais continua sendo realizado até hoje nessa área por vários grupos, no País e no exterior. Ainda com a liderança de Th.A.J. Maris, foi iniciada nova linha na investigação da eletrodinâmica quântica, considerando as massas do elétron e do múon de origem puramente eletromagnética; a obtenção da razão de massas entre essas duas partículas (única grandeza que tem sentido) ainda é problema aberto. Interrompeu sua atividade de pesquisa para se dedicar à administração acadêmico-científica, tendo ocupado sucessivamente os cargos de Pró-Reitor de Pesquisa, de Planejamento, Vice-Reitor e Reitor, todos na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, e de Presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Nos últimos anos tem se dedicado à política científica, especialmente à área de cooperação internacional, atividade iniciada na Universidade de Münster e da qual resultaram várias publicações na literatura internacional especializada.

teste