IMPA recebeu em julho Michael Woodford, Nobel de Economia 2026

O economista norte-americano Michael Woodford, pesquisador da Universidade Columbia (EUA) e um dos vencedores do Prêmio Nobel de Ciências Econômicas de 2026, esteve no Brasil em julho deste ano para participar da 25ª Conferência da Society for the Advancement of Economic Theory (SAET), realizada no IMPA (Instituto de Matemática Pura e Aplicada), no Rio de Janeiro. O encontro também celebrou os 80 anos de Aloisio Araujo, pesquisador emérito do Instituto, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) e membro titular da Academia Brasileira de Ciências (ABC). Os dois são coautores de um artigo publicado em 2015 sobre os efeitos de políticas monetárias convencionais e não convencionais.

Michael Woodward no IMPA, em evento que comemorou os 80 anos do Acadêmico Aloisio Araujo | Foto: Alessandro Mendes / Divulgação IMPA

Anunciado nesta segunda-feira (12), o Nobel de Economia foi concedido a Woodford e ao economista Robert E. Hall, da Universidade Stanford, por suas contribuições para os fundamentos microeconômicos da estabilização macroeconômica. Os trabalhos dos dois pesquisadores ajudaram a desenvolver modelos econômicos que permitem compreender melhor como as decisões de famílias e empresas influenciam a economia e como políticas públicas podem contribuir para a estabilidade econômica.

Para Aloisio Araujo, uma contribuição central de Woodford foi o desenvolvimento dos modelos novo-keynesianos, que aproximaram diferentes correntes do pensamento econômico. Esses modelos combinam fundamentos microeconômicos e expectativas racionais com a possibilidade de que os preços não se ajustem imediatamente, permitindo analisar os efeitos das decisões de política econômica sobre o comportamento dos agentes e a atividade econômica.

A abordagem também considera a crítica do economista Robert Lucas de que mudanças na política econômica podem alterar as expectativas e as decisões das pessoas, fazendo com que relações observadas no passado deixem de valer. Ao incorporar essa perspectiva e admitir certa rigidez de preços, os modelos novo-keynesianos retomaram aspectos do pensamento de John Maynard Keynes em uma estrutura teórica diferente dos modelos keynesianos tradicionais.

“Woodford fez um modelo também de base microeconômica, quer dizer, matemática de equilíbrio geral, na qual os indivíduos eram racionais. Mas ele introduziu alguma rigidez no preço”, explicou Araujo.

Aloisio Araujo e Michael Woodford | Foto: Alessandro Mendes/Divulgação IMPA

Durante a conferência da SAET, realizada de 13 a 18 de julho, Woodford apresentou a palestra Fiscal Sustainability and Macroeconomic Stabilization (Sustentabilidade fiscal e estabilização macroeconômica). A apresentação abordou a interação entre as políticas fiscal e monetária e examinou como as expectativas sobre a trajetória da dívida pública e os compromissos fiscais dos governos influenciam a estabilidade macroeconômica.

(Corcovado Comunicação Estratégica)