*Artigo assinado por Ima Vieira (Museu Paraense Emilio Goeldi e Titular ABC), Luiz Antonio Elias (Finep) e Oswaldo Luiz de Moraes (UFSC) para o The Conversarion
Por dez anos, o limite de 1,5°C no aquecimento global foi a grande meta definida pelo Acordo de Paris. Mas agora, o mundo está entrando na era da ultrapassagem temporária desse patamar. Isso não significa abandonar o objetivo de 1,5°C. Ao contrário: significa que cada fração adicional de aquecimento evitada passa a ser ainda mais importante.
O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente já admite que o mundo vai passar desse limite. Mesmo no melhor cenário, os compromissos atuais dos países já falam em cerca de 1,8°C. Segundo o Copernicus, o programa de observação da Terra da União Europeia, a temperatura média do planeta ficou 1,77°C acima do nível pré-industrial em fevereiro de 2024, e 1,65°C acima em agosto de 2026, quando a Europa registrou um dos verões mais quentes da história. Se o ritmo das últimas três décadas continuar, a média de longo prazo chegará a 1,5°C em janeiro de 2029.
Mas será que a agenda climática fracassou? O Seminário Ciência e Negociação Climática Rumo à COP31, promovido no último dia 29 de setembro pela Finep, pelo MCTI, pela Academia Brasileira de Ciências e pela SBPC, mostrou que não. Os palestrantes do Seminário mostraram que a ultrapassagem não torna a ação menos necessária; torna-a mais complexa e mais dependente de conhecimento.
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