Leia matéria de Alessandro Giannini para VEJA, publicada em 6/10/2026:
O Nobel de Física 2026 foi concedido individualmente ao físico Francis Halzen por sua contribuição decisiva ao Observatório IceCube e à descoberta de neutrinos de origem astrofísica. Pesquisadores brasileiros analisam o impacto da conquista para a física de astropartículas, o fortalecimento da astronomia multimensageira e as inovações tecnológicas derivadas do experimento.
O contexto
O prêmio, concedido pela Real Academia Sueca de Ciências e acompanhado de 12 milhões de coroas suecas (1,2 milhão de dólares), reconhece uma pesquisa de ciência básica voltada a determinar a origem de partículas cósmicas de alta energia. Concedida a um único cientista, algo cada vez mais raro na ciência contemporânea, a premiação celebra a consolidação de uma nova janela de observação do Universo.
O laureado
Nascido na Bélgica em 1944, Francis Halzen doutorou-se em 1969 pela Universidade KU Leuven e é professor na Universidade de Wisconsin–Madison, nos Estados Unidos. Lidera o Wisconsin IceCube(…)
O fato
A láurea reconhece a criação do Observatório de Neutrinos IceCube, um detector de um quilômetro cúbico instalado a mais de 1,4 km de profundidade no gelo da Antártida, próximo à Estação Polo Sul Amundsen-Scott. O observatório usa o gelo transparente para registrar a radiação Cherenkov, o tênue brilho azul emitido quando um neutrino interage com um núcleo atômico. O registro permite identificar a energia e rastrear a direção de origem dessas partículas de massa quase nula vindas do espaço distante.
Os comentários
Constantino Tsallis (pesquisador do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas – CBPF e membro titular da Academia Brasileira de Ciências): “O Prêmio Nobel de Física deste ano foi outorgado a um único físico. Em tempos recentes, isto é cada vez mais raro. A premiação distingue uma pesquisa em ciência básica de grande relevância e originalidade, qual seja a localização da origem de fascinantes partículas, os neutrinos, que povoam fartamente nosso universo […]. Isto abre as portas a uma nova forma de astronomia, utilizando estas partículas de massa quase nula, em vez da tradicional luz dos povos antigos, de Galileo, de Chandrasekhar, etc.”
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