Em águas mais quentes, peixes da Amazônia estão em perigo

Leia entrevista do Acadêmico e biólogo Adalberto Val para a revista Poraquê, publicada em 31 de agosto:

O biólogo paulista Adalberto Luis Val, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), recebeu no dia 30 de julho a Medalha Le Cren, honraria concedida pela Fisheries Society of the British Isles (FSBI) a cientistas e equipes com grande contribuição para a biologia, a conservação e a compreensão dos peixes. A entrega do prêmio aconteceu em uma cerimônia na Universidade de SOuthampton, na Inglaterra, em que Val fez uma palestra sobre sua trajetória científica dedicada ao estudo dos peixes amazônicos, com destaque para suas adaptações fisiológicas a condições extremas.

De volta a Manaus, onde vive desde a década de 1980, Val conversou por videoconferência com a revista Poraquê. Falou sobre a importância da premiação para a ciência brasileira, sobre as dores e as delícias de fazer pesquisa na Amazônia e sobre o respeito que aprendeu a ter pelo poraquê, peixe amazônico cujas descargas elétricas chegam a 860 volts.

Qual é a importância da medalha Le Cren para a ciência em ecologia dos peixes feita na Amazônia?
O prêmio é concedido por uma organização inglesa, a Fisheries Society of the British Isles, que é uma sociedade super forte e competente no mundo da biologia de peixes e congrega cientistas das Ilhas Britânicas. A concessão dessa distinção é discutida com esse grupo de pesquisadores. O biólogo britânico Eric David Le Cren [1922–2011], um pioneiro na ecologia de peixes de água doce, estudou a relação entre o crescimento e o peso de organismos e transformou isso em uma equação para peixes, que chamamos de fator de condição. Na relação entre peso e comprimento, o animal não pode ser muito grande nem muito pesado. Quando essa relação é igual a 1, a condição é ideal.

Essa contribuição foi publicada em 1951 e teve um papel extremamente importante porque criou um parâmetro para estimar a qualidade de vida nos ambientes aquáticos. Com base na medida do peso e comprimento e aplicando a equação, é possível avaliar se os peixes estão em bom estado nutricional e têm uma qualidade de saúde adequada. Depois da morte de Le Cren, a FSBI decidiu criar uma medalha para valorizar o trabalho que ele fazia. Esse tipo de iniciativa gera uma responsabilidade imensa, é preciso honrar a medalha. Sou o primeiro brasileiro a recebê-la e fiquei emocionado por terem identificado nos trabalhos que fazemos aqui na Amazônia, já há quase 50 anos, uma contribuição importante para valorizar a Medalha Le Cren.

Leia a entrevista na íntegra no site da Poraquê

 

(Fabricio Marques e Maria Guimarães para Poraquê, 31/8/2026)