*Texto original do Jornal GGN
Quanto o Brasil ganhará, em US$ milhões de dólares anuais – ou deixará de ganhar – com os elementos de Terras Raras, depende de quanto da cadeia de valor queremos produzir no País.
O Brasil pode ter algumas das maiores reservas de terras raras do mundo e, ainda assim, capturar apenas uma pequena parcela da riqueza que elas são capazes de gerar. Essa aparente contradição ajuda a explicar o verdadeiro desafio brasileiro. A questão já não é apenas saber quanto minério temos ou quanto podemos produzir, mas decidir quanto da cadeia de valor queremos construir no país.
Um exercício simples ajuda a dimensionar essa escolha. Suponha que, nos próximos anos, diferentes projetos brasileiros alcancem conjuntamente uma produção de 20 mil toneladas anuais de concentrado de terras raras. A um valor médio hipotético de US$ 10 por quilograma, estaríamos falando de aproximadamente US$ 200 milhões por ano. É uma receita relevante. Mas é apenas o começo da história.
Se esse material for processado no Brasil e assumirmos, para fins ilustrativos, um concentrado com 50% de óxidos de terras raras, dos quais 30% correspondam aos elementos magnéticos de maior interesse econômico, teríamos cerca de 3 mil toneladas de óxidos magnéticos. A US$ 110 por quilograma, essa etapa poderia movimentar aproximadamente US$ 330 milhões.
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Anderson Gomes é presidente do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) e vice-presidente da Academia Brasileira de Ciências para as regiões Nordeste e Espírito Santo.
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