IA: é preciso agir agora

*Texto original publicado no Valor Econômico

No nebuloso mundo atual, em que incertezas políticas, econômicas, militares, tecnológicas e climáticas avançam em todas as direções, um grupo de mais de 200 economistas, incluindo 16 ganhadores do Prêmio Nobel, reunidos pela Universidade Stanford, publicou recentemente um manifesto de apenas 88 palavras, com uma mensagem de urgência, um tanto enigmática: É preciso agir agora (“We Must Act Now’’). Há entre os signatários do manifesto aqueles que defendem a necessidade urgente de redirecionar o avanço da IA de modo a minimizar seus riscos e possibilitar seu uso em benefício do bem comum. Eles não propuseram uma moratória da fronteira tecnológica, nem mesmo sua desaceleração. A palavra é redirecionamento.

Esta afirmação é particularmente intrigante quando se consideram os interesses que afetam os EUA na condução de negócios do mundo. O domínio das tecnologias mais avançadas de IA, aqui chamadas de Frontier AI, está diretamente relacionado a dois vetores. O primeiro é a manutenção do hiper poder militar, econômico e político. Trata-se portanto de disputas no contexto geopolítico, onde EUA e China buscam ampliação e manutenção de seus impérios de influência. O segundo é o diferencial competitivo do ponto de vista dos ganhos de produtividade antecipados pela penetração da IA no mundo econômico.

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Virgilio Almeida é professor associado ao Berkman Klein Center da Universidade de Harvard, professor emérito da UFMG e ex-secretário de Política de Informática do Ministério da Ciência e Tecnologia e Inovação.

Francisco Gaetani é professor da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas (EBAP) da FGV.

(Valor Econômico | Fotos: Wikimedia Commons e Curriculo Lattes)