*Artigo do físico Anderson Gomes, vice-presidente regional da ABC e diretor do Centro de Gestão e Estudos e Estratégicos (CGEE), para o Correio Braziliense
Durante décadas, o Brasil acostumou-se a medir sua riqueza pela abundância de recursos naturais. Minério de ferro, petróleo, soja e outras commodities consolidaram uma economia integrada ao comércio internacional. Esse modelo trouxe ganhos, mas também uma pergunta recorrente: por que países ricos em recursos naturais nem sempre conseguem transformar essa riqueza em desenvolvimento tecnológico e industrial? A emergência dos minerais críticos, especialmente das terras raras, recoloca a questão em novos termos.
Presentes em turbinas eólicas, veículos elétricos, equipamentos médicos e dispositivos eletrônicos, esses elementos tornaram-se indispensáveis à economia do século 21. Por isso, integram as estratégias industriais das principais economias. A disputa não envolve apenas o acesso ao minério, mas capacidades industriais, domínio tecnológico, conhecimento e autonomia estratégica.
Essa talvez seja a principal mudança de paradigma que o Brasil precisa compreender. O verdadeiro ativo estratégico não é a reserva mineral, mas a capacidade de transformá-la em produtos, tecnologia, empregos qualificados e inserção internacional. Exportar concentrados pode gerar receitas, mas dificilmente modifica a posição de um país nas cadeias globais de valor. O maior valor está no processamento, no refino, nos materiais avançados e nos produtos finais.
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