Monitoramento que protege a floresta

Sobrevoar a Amazônia é uma experiência transformadora. Observar a floresta de cima nos permite ter uma dimensão do seu tamanho, e nos sugere sua importância para o equilíbrio ambiental do planeta. Mas se a vastidão faz refletir, também permite entender a dificuldade que é monitorar uma área tão vasta. É esse desafio que o engenheiro ambiental Celso Henrique Leite Silva Junior escolheu para enfrentar.

Nascido em São Luís do Maranhão, Celso carrega o nome do pai, que sempre trabalhou como marceneiro. A mãe, Maria Lucia, era agente comunitária de saúde e dona de casa. Ambos transmitiram aos filhos a importância da educação e tiveram sucesso, pois tanto Celso quanto sua irmã cursaram faculdade e pós-graduação. Mas na infância, apesar do gosto pelo conhecimento, a carreira de cientista não estava no horizonte do Acadêmico. “Embora tenha cogitado, minha realidade à época não me mostrava a ciência como algo palpável”, conta.

No colégio, a biologia e química eram suas matérias favoritas. A teoria se unia à prática nas aulas de laboratório, e o gosto pela questão ambiental se formava. Na hora de escolher uma faculdade, Celso optou pela engenharia ambiental, que cursou entre 2009 e 2014 na Universidade Ceuma (Uniceuma), de sua cidade natal. Nesse período, teve sua primeira experiência como pesquisador graças à iniciação científica voluntária que fez por estímulo de seus professores.

Seu trabalho de conclusão, sob orientação do professor Dagolberto Calazans Pereira, foi uma análise do risco de deslizamento nas regiões ao redor da bacia do rio Anil, em São Luís. Ao obter o diploma, Celso embarcou numa especialização em geoprocessamento, de 2014 a 2016, pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), onde estudou a dinâmica das queimadas nas áreas de Cerrado do Maranhão. Essa foi sua primeira experiência no monitoramento de incêndios e degradação de biomas, área em que construiria sua carreira.

Em 2016, o Acadêmico ingressou no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) sob orientação dos professores Luiz Eduardo de Aragão e Liana Oighenstein Anderson. Durante o mestrado e o doutorado em Sensoreamento Remoto, Celso voltou seu olhar para as áreas de borda da floresta amazônica, estudando a perda da capacidade dessas regiões de estocar carbono. Para isso, utilizou o LIDAR, tecnologia similar ao radar que utiliza drones para mapeamento e monitoramento de grandes áreas. “O principal aprendizado durante a jornada foi que a ciência deve ser colaborativa. A ciência só avança pela colaboração e não pela competição”, reflete Celso.

“Pesquiso como o desmatamento, as queimadas e as mudanças climáticas afetam as florestas, especialmente na Amazônia e no Cerrado. Utilizo imagens de satélite, dados de drones e de campo para produzir informações que orientem a conservação, a restauração florestal e a criação de políticas públicas”, explica o Acadêmico sobre seu trabalho. “É especialmente gratificante observar a natureza em diferentes escalas e perceber que mapas, imagens e dados ajudam a proteger florestas e comunidades”.

Em 2023, ano seguinte à conclusão do doutorado, Celso ingressou como pesquisador no Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) e como professor na Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Agora na ABC, Celso considera a nomeação uma honra e uma responsabilidade, a qual pretende fazer jus contribuindo para valorizar a ciência feita nos estados do Amazonas, Pará e Maranhão. “Este é um reconhecimento para uma trajetória que foi construída coletivamente”, ressalta.

(Marcos Torres para ABC, 13/08/2026 | Fotos: Anderson Ferreira / Águia Drone Fotografia e imagens Aéreas)