No dia 14 de agosto, a presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), Helena Bonciani Nader, esteve ao lado da presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Francilene Procópio Garcia, em reunião da Academia Pernambucana de Ciências (APC). Presidente da APC, o Acadêmico Anderson Stevens Gomes abriu os debates anunciando que a instituição está com chamada aberta para novos membros e, à exemplo da ABC, criou uma categoria própria de membros afiliados.

Recomendações aos presidenciáveis
As mandatárias de ABC e SBPC foram convidadas a apresentar os respectivos documentos direcionados aos candidatos à presidência da República com diretrizes e propostas para a condução da pasta de Ciência, Tecnologia e Inovação. Ambas reforçaram a meta de 2% do PIB investido em pesquisa, que a atual estratégia nacional para o setor ambiciona atingir até 2034. “Já faz um quarto de século que falamos disso, mas ainda estamos no 1,2%”, afirmou Garcia.
Para a presidente da ABC, o Brasil avançou na interiorização de sua capacidade científica, demonstrada pelo crescimento acima da média das graduações e pós-graduações do Norte e Nordeste na última avaliação da Capes. Outro ponto de avanço foi no Marco Legal da CT&I, que está quase consolidado. “O que ainda existe é uma dificuldade de fazê-lo ser utilizado, é uma das coisas que apontamos no documento da ABC”, afirmou Nader.
Além das centenas de recomendações em temas como inteligência artificial, mudanças climáticas, educação básica, segurança pública e consolidação democrática, os documentos convergem na necessidade de investimentos robustos e contínuos para o setor científico, maior gargalo atualmente. “O que temos hoje são políticas incompletas e, muitas vezes, interrompidas. Financiamento instável é incapaz de sustentar planejamento de longo prazo”, defendeu.
Nesse sentido, Nader compartilha a responsabilidade entre os poderes executivo e legislativo. “O governo precisa assumir a CT&I como eixo estruturante do desenvolvimento econômico, como política de Estado. Mas quem faz os cortes nas leis orçamentárias são os parlamentares. O orçamento de todos os ministérios juntos é menor do que as emendas parlamentares. Se não houver vontade no Congresso há muito pouco o que os governos federal ou estaduais possam fazer”.
A presidente da ABC elogiou o estado de Pernambuco por já possuir a maior parte de suas escolas públicas em tempo integral, uma forma de fortalecer o ensino técnico, que ainda responde por apenas 10% do ensino médio nacional. Sobre meio ambiente, Nader defendeu o ingresso de ABC e SBPC como amici curiae nas ações que questionam a flexibilização do licenciamento ambiental aprovada pelo Congresso. “Aquilo é uma aberração, uma verdadeira Lei da Devastação que deveria estar sendo muito mais discutida em todas as instâncias”, criticou.
Nader também defendeu que o Brasil invista na cadeia de processamento de minerais críticos para ganhar em valor agregado e deixar de ser exportador de commodities. Na área da Saúde, elogiou a recuperação da cobertura vacinal e a eliminação da transmissão de HIV intrauterina, mas alertou que o país segue dependendo da exportação de ingredientes farmacêuticos ativos (IFA), defendendo que se fortaleça o complexo industrial da saúde. Acesse a íntegra dos documentos de ABC e SBPC através dos links abaixo:


Prêmio Niède Guidon de CT&I
Após as falas de ABC e SBPC, a reunião prosseguiu com a outorga do Prêmio FACEPE/CONFAP de Ciência, Tecnologia e Inovação Professora Niède Guidon. Neste ano, foram homenageados Marcelo Tabarelli, na categoria Ciências da Vida; Gauss Cordeiro, em Ciências Exatas; e Ana Elizabete Fiuza Simões da Mota, em Ciências Humanas, todos da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Na categoria Pesquisador Inovador, foram reconhecidos Manoel Henrique da Nóbrega Marinho e Márcia Rejane Oliveira Barros Carvalho Macedo, da Universidade de Pernambuco (UPE). Já na categoria Profissional de Comunicação, a homenageada foi a jornalista e professora Yvana Carla Fechine de Brito, da UFPE.