A Câmara Brasileira do Livro (CBL) instituiu no Prêmio Jabuti Acadêmico uma homenagem destinada a reconhecer personalidades cuja trajetória transcende as suas áreas de atuação e deixa um legado permanente para a ciência, a educação e para toda a sociedade.
Nessa terceira edição, essa homenagem foi concedida ao físico, professor e pesquisador José Goldemberg, membro titular da Academia Brasileira de Ciências, escolhido como personalidade acadêmica de 2026.

Professor emérito da Universidade de São Paulo (USP), Goldemberg construiu uma trajetória marcada por contribuições excepcionais à ciência, à educação, à formulação de políticas públicas e ao desenvolvimento sustentável, inspirando gerações de pesquisadores e fortalecendo o papel do reconhecimento na construção do país.
Nas palavras de outro professor emérito da USP, Jacques Marcovitch, José Goldemberg é um exemplo de vida significativa. O Acadêmico Celso Lafer destacou que Goldemberg foi um pesquisador de primeira linha em física, que participou ativamente do debate sobre energia nuclear no país, além de ter tido atuação marcante como resistência democrática ao arbítrio no período da ditadura militar.
Lafer também destacou a atuação de Goldenberg com reitor da USP: “Um reitor modernizador, que conseguiu obter recursos para a universidade e foi, no fundo, quem acabou construindo a autonomia da universidade”. Para a Acadêmica Mayana Zatz, José Goldemberg foi o melhor reitor que a USP já teve. “Ele defendeu uma cota fixa do ICMS para as universidades”. Em outros depoimentos, foi destacado que ele foi ministro da Educação e secretário de Meio Ambiente do governo federal. Especialmente, foi quem organizou a Rio 92, que deu início às conferências das partes que agora existem no mundo, um marco na história da ciência no Brasil.
A diretora da Câmara Brasileira do Livro, Sevani Matos, e a curadora do Prêmio Jabuti Acadêmico, a professora doutora Nina Beatriz Estoco Ranieri, entregaram a estatueta a José Goldemberg.

Em seu discurso de agradecimento, o Acadêmico apontou: “Sou um produto típico da escola pública e laica do Brasil. Destacou que sua vocação de cientista se manifestou desde a infância, buscando descobrir a causa das coisas e recusando explicações religiosas ou metafísicas. Receber essa homenagem nesse momento da minha jornada é mais do que uma realização pessoal, é a validação de uma premissa à qual dediquei minha vida: a de que a ciência brasileira tem voz, autonomia e responsabilidade diante do mundo. Divido esse prêmio com cada colega, aluno e instituição que ousa acreditar que o futuro do Brasil se constrói com educação pública, ciência e coragem.”
Assista os depoimentos na íntegra, com falas do próprio e de sua neta, além de seu discurso de corpo presente, no YouTube do Prêmio Jabuti, entre 1:20:39 e 1:35:37.