Leia matéria de Gustavo Werneck para O Estado de Minas, publicada em 10 de agosto:
Há 100 anos, chegava à capital mineira a cientista Marie Curie, polonesa naturalizada francesa que fez descobertas revolucionárias no campo da radioatividade.
O imponente hotel em que ela ficou hospedada não existe mais – saiu de cena na década de 1950 para dar lugar ao Edifício Maletta, na Rua da Bahia, no Centro de BH. A demolição do Grande Hotel foi uma perda irreparável para nosso patrimônio, e daqueles tempos ficaram muitas histórias, a exemplo da célebre visita, que completa 100 anos, da cientista Marie Sklowska-Curie (1867-1934), polonesa naturalizada francesa e pioneira no estudo da radioatividade.

Madame Curie, como ficou conhecida, esteve no Rio de Janeiro, São Paulo e Minas, entre 15 de julho e 28 agosto de 1926. Fez conferências para estudantes e pesquisadores, visitou instituições científicas, conheceu o Pão de Açúcar, na capital fluminense, e se tornou a primeira mulher integrante da Academia Brasileira de Ciências (ABC), na categoria de correspondente.
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A viagem, na companhia da filha, Irène Curie, e a convite do Instituto Franco-brasileiro de Alta Cultura, deixou legado importante para a medicina brasileira. Durante sua passagem por BH, em 16 e 17 de agosto de 1926, Marie Curie doou duas agulhas de rádio ao então Instituto Radium, contribuindo para o desenvolvimento da radioterapia no país. O centenário da visita resgata um capítulo pouco conhecido da história da ciência brasileira e mostra como a presença da única pessoa a receber dois prêmios Nobel (de física, em 1903, e de química, em 1911) fortaleceu a pesquisa nacional e inspirou gerações de cientistas.
Professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e membro da Academia Brasileira de Ciências (ABC), Ildeu Moreira explica que a viagem contribuiu, em certa escala, para estimular cientistas locais e jovens, valorizar instituições científicas e destacar a importância da “ciência pura” e do uso da ciência na saúde, em particular da radioatividade.
“Reforçou também o papel desempenhado pela ABC e ajudou a divulgar a nova entidade. Houve também forte interação com o grupo de mulheres da Federação Brasileira para o Progresso Feminino, liderada por Bertha Lutz, em suas campanhas pela valorização da mulher na sociedade e na ciência”, afirma Moreira.
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