
O Brasil perdeu mais um grande cientista: o Acadêmico João Lúcio de Azevedo. Professor aposentado do Departamento de Genética da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP) e diretor da instituição no período de 1991 a 1995,
“A genética brasileira perde um de seus pesquisadores de maior destaque. Um cientista que formou gerações de geneticistas e um itinerante que levou a genética e boa ciência a diferentes instituições no país”, disse o Acadêmico Samuel Goldenberg.
Nascido em São Paulo, em 1937, João Lúcio de Azevedo graduou-se em engenharia agronômica pela Universidade de São Paulo (USP), em 1959. Obteve o doutorado pela USP, em 1962, em agronomia, com foco em genética e melhoramento de plantas. Fez o doutorado em genética na Universidade de Sheffield, em 1971, pós-doutorado na Universidade de Nottingham, em 1979, e outro na Universidade de Manchester, em 1988, todas na Inglaterra.
Ingressou em 1961 como docente do Departamento de Genética da Esalq e a ela se dedicou por 34 anos, entre 1961 e 1995. Iniciou sua atuação ministrando as disciplinas de genética e citologia (atualmente biologia celular) e, posteriormente, passou a desenvolver atividades de ensino e pesquisa na área de genética de microrganismos. Foi chefe do Departamento de Genética entre 1983 e 1991.
Desenvolveu pesquisas com genética de fungos, voltadas à estabilização de linhagens de interesse agrícola e industrial e melhoramento genético de espécies, usadas no controle biológico de pragas agrícolas. Em 1990, iniciou uma linha de pesquisa sobre microrganismos endofíticos. Introduziu no Brasil, entre outras, as técnicas de fusão de protoplastos e utilização de processos parassexuais no melhoramento genético de fungos. Uma de suas principais preocupações foi a de formar recursos humanos em genética de microrganismos de interesse agroindustrial, que era uma área praticamente inexistente no Brasil na época.
Com professor convidado, implementou e organizou laboratórios e cursos de pós-graduação em genética e biotecnologia na Universidade de Brasília (UnB), na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), na Universidade Federal de Goiás (UFG) e na Universidade de Mogi das Cruzes (UMC).
Ao longo de sua carreira, recebeu importantes reconhecimentos por sua contribuição à ciência e à universidade, entre eles o título de Professor Emérito da Esalq (2013), a comenda da Ordem Nacional do Mérito Científico, concedida pela Presidência da República (1998), e a Medalha do Mérito Científico e Tecnológico, outorgada pelo Governo do Estado de São Paulo (2001).
O velório foi realizado em 7 de agosto de 2026, a partir das 13h, na Sala Premium do Cemitério Parque da Ressurreição (Avenida Comendador Luciano Guidotti, 1754, Jardim Caxambu), em Piracicaba, no estado de São Paulo. O sepultamento ocorreu no mesmo local, às 16h.