ABC participa de Fórum das Academias de Ciências do BRICS na Índia

A Academia Brasileira de Ciências (ABC) participou do Fórum das Academias de Ciências do BRICS, realizado nos dias 22 e 23 de julho, em Hyderabad, na Índia. O encontro reuniu representantes das academias nacionais dos países do bloco para discutir o papel da inteligência artificial (IA) no enfrentamento dos principais desafios do desenvolvimento sustentável e no fortalecimento da cooperação científica entre os países do Sul Global.

A delegação da ABC foi composta pelo Acadêmico Anderson Stevens Leonidas Gomes, vice-presidente regional da ABC para o Nordeste e Espírito Santo, e por Marcos Cortesão, diretor executivo de Relações Internacionais da Academia.

Com o tema “Aproveitando a Inteligência Artificial para o Desenvolvimento Sustentável e o Fortalecimento da Cooperação do Sul Global”, o fórum teve como principal resultado a elaboração de um documento conjunto com recomendações estratégicas para os países do BRICS na área de inteligência artificial. O texto, que ora se encontra em fase final de aprovação pelas Academias signatárias, será encaminhado aos chefes de Estado e de governo do bloco.

As discussões partiram do reconhecimento de que os países do BRICS representam uma parcela significativa da população, da economia e da produção científica mundial, além de compartilharem desafios comuns, como mudanças climáticas, segurança alimentar, saúde pública, vulnerabilidade a desastres naturais e desigualdades socioeconômicas. Nesse contexto, a inteligência artificial foi destacada como uma tecnologia transformadora, capaz de acelerar a produção de conhecimento, aprimorar políticas públicas e impulsionar soluções inovadoras para problemas complexos enfrentados pelos países em desenvolvimento.

Os participantes ressaltaram que o desenvolvimento da IA permanece concentrado em um número reduzido de países e grandes empresas de tecnologia, o que torna ainda mais relevante o fortalecimento da cooperação entre os países do BRICS. A combinação de infraestrutura digital em expansão, diversidade de dados e experiência acumulada na superação de desafios de desenvolvimento coloca os países do bloco em posição estratégica para construir soluções tecnológicas adaptadas às suas realidades.

As recomendações consolidadas pelas academias concentram-se em cinco áreas prioritárias: materiais avançados e manufatura, saúde, clima e sustentabilidade ambiental, agricultura e segurança alimentar, e previsão e gestão de desastres. O documento também defende investimentos em infraestrutura computacional, compartilhamento de dados, capacitação de recursos humanos, cibersegurança e governança responsável da inteligência artificial.

Entre as iniciativas propostas estão a criação de programas conjuntos de pesquisa, plataformas colaborativas de dados, modelos multilíngues de IA, mecanismos de mobilidade para pesquisadores e uma Rede de Pesquisa e Inovação em Inteligência Artificial dos BRICS, coordenada pelas academias de ciências dos países-membros.

Alinhamento com as prioridades brasileiras

Durante os debates, Anderson Gomes apresentou contribuições da ABC ao documento-base preparado pela Academia Nacional de Ciências da Índia, responsável pela coordenação da reunião. Em sua intervenção, destacou a atuação da Academia no debate nacional sobre inteligência artificial, especialmente por meio do documento “Recomendações para o Avanço da Inteligência Artificial no Brasil”, publicado em 2023.

O Acadêmico também ressaltou a participação da comunidade científica brasileira na formulação de recomendações que contribuíram para o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA). Segundo ele, há forte convergência entre as prioridades identificadas no plano nacional e aquelas apontadas no documento da ABC.

Ao estabelecer um paralelo entre os documentos, Gomes observou que diversas recomendações elaboradas pela ABC dialogam diretamente com as estratégias propostas tanto pelo PBIA quanto pelo documento conjunto das academias. Ele destacou ainda o papel do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), instituição que preside, na produção de estudos prospectivos e análises destinadas a subsidiar políticas públicas de ciência, tecnologia e inovação.

Ao final de sua exposição, o Acadêmico enfatizou que o documento produzido pelas academias do BRICS representa uma iniciativa estratégica para orientar ações cooperativas em áreas como materiais avançados, saúde, mudanças climáticas, agricultura, segurança alimentar e gestão de desastres. Para ele, as recomendações oferecem uma oportunidade concreta de ampliar a cooperação científica entre os países do bloco e fortalecer o uso da inteligência artificial como instrumento de inovação, desenvolvimento sustentável e melhoria da qualidade de vida das populações do Sul Global.

ATUALIZAÇÃO: ACESSE AQUI O DOCUMENTO FINAL

 

Anderson Gomes representa o Brasil no Fórum de Academias BRICS 2026 (Foto: Divulgação)
(Marcos Cortesão para ABC)