Presidente da ABC visita os Institutos de Microbiologia e Zoologia da Academia Chinesa

Dando continuidade à agenda institucional da Academia Brasileira de Ciências (ABC) na China, a presidente Helena B. Nader, retornou a Beijing na tarde de 10 de julho para uma série de compromissos voltados ao fortalecimento da cooperação científica sino-brasileira. A programação incluiu visitas ao Instituto de Microbiologia (IMCAS) e ao Instituto de Zoologia (IOZ), ambos vinculados à Academia Chinesa de Ciências (CAS), referências internacionais em suas respectivas áreas.

No Instituto de Microbiologia da Academia Chinesa de Ciências (IMCAS), um dos principais centros chineses dedicados à pesquisa em microbiologia e doenças infecciosas, a visita teve como objetivo aprofundar o diálogo científico iniciado em encontro anterior realizado no primeiro semestre de 2025. Helena Nader esteve acompanhada por Marcos Cortesão, diretor-executivo de Relações Internacionais da ABC, e por André Lobato, assessor da Presidência da Fiocruz para a China.

A delegação brasileira foi recebida pelo diretor-geral do IMCAS, Prof. Wei Qian. Também participaram do encontro o Prof. George Fu Gao, diretor-geral do China-Brazil Joint Laboratory on Tropical Microbiology; o Dr. Jie Zhang, diretor da Divisão de Planejamento Científico e Grandes Programas; os pesquisadores LianPan Dai, Xin Zhao e JunHao Zhu, do Laboratório de Microbiologia de Patógenos e Imunologia; Liang Wang, vice-diretor do Laboratório Conjunto China-Brasil em Microbiologia Tropical; Zhou Tong, vice-diretor da Divisão de Planejamento Científico e Grandes Programas; e Xiaochen Ma, oficial de programas da mesma divisão.

Durante a reunião, foram apresentadas as mais recentes linhas de pesquisa e capacidades científicas do instituto, além de perspectivas para a expansão da cooperação já estabelecida com o Brasil, construída sobretudo por meio da Fiocruz e da atuação do acadêmico Carlos Morel. As discussões concentraram-se em oportunidades de colaboração nas áreas de microbiologia, doenças infecciosas, saúde pública e biotecnologia. Também foram debatidas formas de ampliar as atividades do Laboratório Conjunto China-Brasil em Microbiologia Tropical, iniciativa que vem desempenhando papel estratégico na consolidação dos vínculos científicos entre os dois países.

Foto: Divulgação ABC

Na sequência da agenda, a presidente da ABC visitou o Instituto de Zoologia (IOZ) da Academia Chinesa de Ciências, uma das mais importantes instituições de pesquisa em ciências biológicas da China. A delegação foi recebida pelo vice-diretor do IOZ, Prof. Zhan Xiangjian, que apresentou a trajetória da instituição, sua estrutura organizacional e suas principais áreas de atuação. Em seguida, realizou-se uma reunião institucional acompanhada de visitas técnicas a diferentes laboratórios e plataformas de pesquisa, permitindo uma visão abrangente das capacidades científicas do instituto.

Participaram das atividades o Prof. Guo Baocheng, diretor do Escritório de Estratégia e Planejamento de Pesquisa; o Prof. Gu Qi, engenheiro-chefe da Plataforma Interdisciplinar de Pesquisa HOPE; o Prof. Hao Jie, diretor do Centro Nacional de Recursos de Células-

Tronco; o Prof. Peng Yaojin, diretor do Centro de Pesquisa em Ética da Ciência e Tecnologia do Instituto de Inovação em Células-Tronco; o Dr. Wang Yue, engenheiro sênior da Plataforma de Grandes Instrumentos do Laboratório Estatal de Regeneração e Reconstrução de Órgãos; o Dr. Guo Hongjie, gerente de projetos do Escritório de Estratégia e Planejamento de Pesquisa; e Ning Lina, secretária do Laboratório Estatal de Regeneração e Reconstrução de Órgãos.

Com mais de 80 anos de história, o IOZ é reconhecido como uma das principais referências chinesas em pesquisa biológica e zoológica. Suas atividades abrangem temas estratégicos como biodiversidade, conservação de espécies ameaçadas, ecologia, evolução, envelhecimento, desenvolvimento, biologia reprodutiva e doenças relacionadas à interface entre seres humanos, animais e meio ambiente. Ao longo da visita, os pesquisadores apresentaram projetos desenvolvidos em laboratórios de excelência voltados à ecologia e conservação da biodiversidade, biologia de células-tronco e reprodução, biologia de membranas, sistemática e evolução animal. A delegação brasileira também teve a oportunidade de conhecer iniciativas relacionadas à regeneração de órgãos, tecnologias avançadas para pesquisa biomédica e estudos sobre ética na inovação científica.

As conversas evidenciaram diversas oportunidades para aprofundar a cooperação científica entre Brasil e China. Entre os temas de interesse comum destacam-se a conservação da biodiversidade, a proteção de espécies ameaçadas, a biologia da conservação, as mudanças climáticas, as doenças emergentes associadas à fauna silvestre, a ecologia amazônica e o monitoramento ambiental. Essas áreas são particularmente relevantes considerando que Brasil e China estão entre os países com maior biodiversidade do planeta e compartilham desafios relacionados à preservação dos ecossistemas e ao desenvolvimento sustentável.

A visita ao IOZ encerrou programação oficial da visita da presidente da ABC à China, que foi dedicada ao fortalecimento das relações científicas entre instituições brasileiras e chinesas em áreas estratégicas para a saúde, a biodiversidade e a inovação. Os encontros realizados nos dois institutos evidenciaram a excelência da ciência produzida no âmbito da Academia Chinesa de Ciências e o amplo potencial para o desenvolvimento de projetos conjuntos, intercâmbio de pesquisadores e formação de recursos humanos qualificados.

A agenda reforçou ainda o papel da diplomacia científica como instrumento fundamental para enfrentar desafios globais e destacou o interesse mútuo da ABC e da CAS em expandir parcerias estratégicas em temas prioritários para ambos os países, consolidando uma cooperação cada vez mais ampla e estruturada.

(Marcos Cortesão para ABC)