Em 2026, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), uma das principais agências de fomento à ciência e educação brasileira, completa 75 anos. Para marcar a data, foram realizados eventos nos dias 1º e 2 de julho, na sede da entidade e também no Teatro Nacional, em Brasília. Participaram das comemorações membros da Academia Brasileira de Ciências (ABC) com ligações históricas com a instituição.
Seminários na sede da Capes
Acadêmica e atual presidente da Capes, a médica Denise Pires de Carvalho defendeu que o papel da Capes se estende para além do Ministério da Educação (MEC), reforçando a necessidade de cooperação interministerial. A mandatária celebrou o aumento no valor e no número de bolsas concedidas desde 2023, mas lamentou as sucessivas regressões no orçamento aprovado para a entidade. “Isso promove uma lentidão naquilo que queremos fazer, e o Brasil tem pressa”.
Carvalho assumiu a Capes em 2024, substituindo a também Acadêmica Mercedes Bustamante. Presente no encontro, a bióloga e professora da Universidade de Brasília (UnB) lembrou do primeiro presidente da instituição, o jurista e educador Anísio Teixeira, responsável por moldar a missão institucional que a Capes persegue até hoje. Bustamante também lembrou do turbulento período no início dos anos 90, quando o governo Collor chegou a encerrar as atividades da instituição, que permaneceu de pé graças à resiliência de seus servidores. “A Capes é como um gato, tem sete vidas e sempre cai de pé”, brincou.
Outro membro da ABC marcado na história da Capes é o sociólogo Abílio Baeta Neves, que comandou a instituição entre 1995 e 2003 e depois entre 2016 e 2018. Presente na mesa, Baeta traçou um histórico do papel da Capes na avaliação e regularização de cursos de pós-graduação e também defendeu sua atuação como promotora da internacionalização da ciência brasileira. Durante sua primeira gestão, o Acadêmico criou o Portal de Periódicos Capes, permitindo que mesmo universidades menores tivessem acesso a publicações científicas antes restritas às melhores bibliotecas dos grandes centros. “É sempre importante lembrar que o portal de periódicos não foi uma unanimidade à época”, alertou.
Presidente da Capes entre 2004 e 2015, o veterinário e Acadêmico Jorge Almeida Guimarães assumiu a instituição em um momento de risco para o Portal de Periódicos, que não encontrava respaldo nas gestões anteriores do MEC. Ele afirmou que sua primeira missão na cadeira de presidente foi salvar a iniciativa, alcançando também uma notável expansão e consolidação nos anos seguintes. Guimarães também fez uma defesa enfática do Ciência sem Fronteiras. “Teve muita coisa positiva. O importante era que os alunos entendessem a filosofia de educação nas grandes universidades internacionais, que não têm 35 horas de aula por semana mas tem muito trabalho prático. Esperávamos recriar isso no Brasil e tivemos muitos exemplos de sucesso”, afirmou.
À frente da instituição por 11 anos, Guimarães defendeu que mandatos longos são fundamentais para gerar políticas públicas continuadas. Em outro ponto, elogiou o baixo custo-benefício da atuação da Capes. “98% dos recursos que entram na Capes vão para a atividade-fim, é uma instituição com baixíssimo custo operacional”.
Atual diretor de Avaliação da Capes, o físico e Acadêmico Antonio Gomes de Souza Filho celebrou a última Avaliação Quadrienal, que se debruçou sobre mais de 4 mil programas de pós-graduação e recebeu apenas 117 pedidos de recurso. Gomes defendeu a política de editais com reserva de 30% dos recursos para as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste como uma forma de consolidar grupos de pesquisa e a oferta de ensino superior de qualidade fora dos grandes centros. “Estamos vivendo uma mudança muito profunda na geografia da produção de conhecimento brasileira”, afirmou.
Cerimônia de gala no Teatro Nacional
Ao cair da noite no dia 1º de julho foi realizada uma cerimônia de gala no Teatro Nacional, em Brasília. A Academia Brasileira de Ciências (ABC) esteve representada por sua presidente, a biomédica Helena Bonciani Nader. “Essa é uma instituição única no país, eu amo a Capes como o seio de uma mãe. A Capes conseguiu ser algo que no Brasil não existe: uma instituição de Estado, e não de governo. É por isso que ela chegou onde chegou”, afirmou Nader em seu discurso.
Para marcar a efeméride, a presidente da ABC e a presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Francilene Procópio Garcia, escreveram um artigo para a Folha de São Paulo exaltando o passado e projetando o futuro da Capes. Leia através do link.

A cerimônia também marcou a entrega do Prêmio Anísio Teixeira 2026 para vinte personalidades que contribuíram e contribuem com a educação nacional. Veja a lista dos vencedores:
Educação Superior
- Ana Mae Tavares Bastos Barbosa (Anhembi Morumbi)
- Arlindo Philippi Junior (USP)
- Dalila Andrade Oliveira (UFMG)
- Débora Foguel (UFRJ)
- Dermeval da Hora Oliveira (UFPB)
- Josicélia Dumet Fernandes (UFBA)
- Keti Tenenblat (UnB)
- Lydia Masako Ferreira (UNIFESP)
- Marilena de Souza Chaui (USP)
- Rita de Cássia Barradas Barata (FCMSCSP)
Educação Básica
- Edileuza Fernandes da Silva (UnB)
- Gersem José dos Santos Luciano (Gersem Baniwa) (UnB)
- Gilmar Pereira da Silva (UFPA)
- Helena Costa Lopes de Freitas (UNICAMP)
- Jaqueline Moll (UFRGS)
- Luiz Fernandes Dourado (UFG)
- Márcia Ângela da Silva Aguiar (UFPE)
- Maria Beatriz Moreira Luce (UFRGS)
- Maria Carmem Freire Diógenes Rêgo (UFRN)
- Nilma Lino Gomes (UFMG)