A Academia Brasileira de Ciências (ABC) celebra a participação do Brasil na recém-lançada publicação internacional The Quiet Work of Transformation: Science and Engineering in the Decisive Leap to 2030, elaborada pelo International Science Council (ISC) em parceria com a World Federation of Engineering Organizations (WFEO). O documento será apresentado no Fórum Político de Alto Nível sobre Desenvolvimento Sustentável (HLPF) de 2026, principal instância das Nações Unidas dedicada ao acompanhamento da Agenda 2030.
A publicação reúne análises e estudos de caso de diversas regiões do mundo, selecionadas a partir de uma chamada global que buscou evidências concretas de como a ciência e a engenharia estão contribuindo para acelerar o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
O relatório enfatiza que o desafio atual não é mais identificar as transformações necessárias, mas sim como implementá-las de forma eficaz, articulando conhecimento científico, governança, financiamento e participação social.

Contribuição brasileira: ciência orientando políticas em saúde
O Brasil participa da publicação com um estudo de caso elaborado pelo Acadêmico Maurício Lima Barreto (Fiocruz) e apresentado pela ABC evidenciando o papel da ciência na formulação de políticas públicas de saúde mais equitativas.
Inserido no eixo temático 1: Bem-estar humano e capacidades, o estudo brasileiro é o primeiro trabalho apresentado na publicação. Intitulado Science-informed public health governance strengthens equitable health systems, o texto apresenta experiências de como a produção científica e os sistemas de informação têm auxiliado decisões estratégicas na saúde pública.
O caso destaca a importância da articulação entre instituições científicas, gestores públicos e sistemas nacionais de saúde para ampliar o acesso e a equidade. Essa abordagem demonstra que a incorporação sistemática de evidências científicas fortalece a capacidade de resposta a desafios complexos, contribuindo para políticas mais eficazes e sustentáveis.
Além disso, a iniciativa reforça o papel histórico do Brasil como referência internacional em saúde pública, especialmente na integração entre pesquisa, vigilância e políticas sociais, um modelo que se mostra essencial para enfrentar desigualdades e promover o desenvolvimento humano.
Ciência em ação para a Agenda 2030
A publicação evidencia que experiências concretas, como a do Brasil, são fundamentais para transformar metas globais em resultados tangíveis. Ao reunir estudos de diferentes contextos, o relatório demonstra que não existe uma solução única, mas sim caminhos diversos baseados em capacidades locais, cooperação e inovação.
Entre as principais mensagens do documento, destaca-se que (1) a ciência e a engenharia tornam mais viáveis as transições complexas necessárias aos ODS; (2) instituições robustas e coordenação de longo prazo são essenciais para sustentar resultados; e (3) a colaboração entre ciência, sociedade e governos aumenta a eficácia das políticas públicas.
Projeção internacional da ciência brasileira
A inclusão do estudo brasileiro no relatório reforça a relevância internacional da ciência produzida no país e o papel da ABC na articulação de contribuições estratégicas para o debate global sobre desenvolvimento sustentável.
Ao lado de iniciativas de países como China, Quênia e Egito, o Brasil demonstra como soluções baseadas em evidências podem orientar políticas públicas em diferentes realidades, contribuindo para o avanço coletivo em direção a 2030.
A participação no documento também amplia a visibilidade do trabalho do acadêmico Maurício Barreto e das instituições brasileiras envolvidas, consolidando o país como um ator importante na interface entre ciência e políticas públicas.
A publicação completa está disponível em: https://council.science/wp-content/uploads/2026/06/ISC-WFEO-HLPF-Position-Paper-2026.pdf