O físico, pesquisador emérito do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) [e membro titular da Academia Brasileira de Ciências] Constantino Tsallis, ao longo de sua trajetória, acumula reconhecimentos internacionais que colocam uma teoria nascida no Brasil no centro do debate científico mundial. Em julho deste ano, ele receberá o Prêmio SigmaPhi na conferência SigmaPhi 2026, realizada de 6 a 10 de julho na Grécia, uma das mais importantes distinções da física estatística e de sistemas complexos, concedida pelas contribuições que transformaram a compreensão dessas áreas nas últimas décadas.
O reconhecimento não para por aí: em 2027, Tsallis, ao lado de Roman Pasechnik, professor da Lund University, será copresidente do Simpósio Nobel de Física, em Lund, na Suécia. Com o tema “Beyond Boltzmann: Complexity, Memory and Non-additive Entropies”, o evento trará para o debate as chamadas entropias não aditivas, conceito associado à generalização da teoria estatística proposta pelo próprio Tsallis, em 1988.
A distinção confirma a relevância global da Estatística de Tsallis, formulação que o físico propôs há quase 40 anos como uma generalização da entropia clássica de Boltzmann-Gibbs. A teoria descreve sistemas marcados por forte não-linearidade, correlações de longo alcance e memória temporal prolongada – características presentes em fenômenos como o funcionamento do cérebro, transtornos mentais, dinâmica de epidemias e modelagem climática, que a física estatística tradicional não consegue capturar com precisão.

Da física ao cérebro: nova parceria com a Fiocruz
É justamente esse alcance da teoria que motiva uma nova frente de trabalho. No último mês, Tsallis esteve na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) para uma agenda de diálogos voltados à criação do Núcleo de Complexidade em Neurociências e Saúde. O encontro reuniu o presidente da Fiocruz, Mario Moreira, as vice-presidentes, Alda Maria da Cruz e Marly Cruz, e pesquisadores da área de neurociência, Cecília Hedin-Pereira, Dimitri Abramov e Luciana S. Garbayo, além de Fabricio Silva e Bruno Duarte, da Universidade Federal do Pará (UFPA), que já colaboram diretamente com o físico.
O objetivo é estruturar uma cooperação transdisciplinar entre físicos, neurocientistas e biomédicos, com a perspectiva, no futuro, de um Instituto de Neurociência na fundação.
O simpósio que prepara o Nobel
A primeira ação concreta dessa parceria será o Simpósio sobre Sistemas Complexos, organizado pela Vice-Presidência de Pesquisa e Coleções Biológicas da Fiocruz em outubro deste ano. O evento reunirá cientistas internacionais para aproximar diferentes campos de pesquisa em torno do tema e funcionará também como a preparação brasileira para o Simpósio Nobel de Física de 2027.