Leia matéria de Priscila Pacheco para Observatório do Clima, publicada em 25 de maio:
Do OC – América Latina e Caribe têm aquecido cada vez mais rápido e com maior intensidade, devido às mudanças climáticas, mostra estudo divulgado na última semana pela Organização Meteorológica Mundial (OMM). Em 2025, os termômetros registraram anomalias de até 10ºC acima da média em diferentes áreas, em meio a uma sequência de eventos extremos que levou ao recorde de 52,7ºC no México e acima dos 40ºC em diversos pontos do continente ao longo do ano. No Brasil, foram registradas sete ondas de calor no período.
O Estado do Clima na América Latina e no Caribe – que contou com a participação do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), para esta edição – mostrou que o México aqueceu aproximadamente 0,34°C por década nos últimos 30 anos, em comparação com períodos anteriores (1900-1930, 1931-1960 e 1961-1990). O país foi a sub-região com maior ritmo de aumento de temperatura por década.
A América do Sul registrou aumento de 0,26°C por década, enquanto a América Central e o Caribe tiveram elevação de 0,25°C cada, no período analisado pela ONU.
Calor de 2025
Entre fevereiro e março de 2025, o México enfrentou a primeira onda de calor daquele ano, com alguns estados registrando temperaturas entre 40°C e 45°C. Em maio, os termômetros chegaram a marcar entre 46°C e 47°C em diversos municípios mexicanos. Em agosto, os termômetros registraram a temperatura recorde de 52,7ºC em Mexicali, no noroeste do país.
A Guatemala também registrou um número excepcionalmente elevado de dias quentes, enquanto El Salvador teve temperaturas acima de 40°C. Belize e Honduras também enfrentaram episódios de calor extremo.
De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o Brasil registrou sete ondas de calor ao longo do ano. No Rio Grande do Sul, por exemplo, o início das aulas foi adiado devido às altas temperaturas. Durante o verão, o norte da Argentina, o sul do Brasil e grande parte do Paraguai e do Uruguai tiveram anomalias de temperatura de até 10°C acima da média. A Bolívia também registrou calor anormal durante a primavera e o outono.
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“[O aumento do nível do mar] não acontece como nos filmes, subindo rapidamente. Mas ele provoca mais ressacas, como vem acontecendo em Santos”, afirma José Marengo, coordenador-geral de Pesquisa e Desenvolvimento do Cemaden e principal autor do relatório da OMM.
O nível do mar sobe devido ao aquecimento das águas — por expansão térmica — e ao derretimento de geleiras, calotas polares e mantos de gelo, afetando comunidades costeiras e países insulares de baixa altitude.
O aquecimento também aumenta a acidificação dos oceanos (pH baixo), causada pela absorção excessiva de gás carbônico. Em 2025, o pH da superfície do oceano continuou diminuindo na América Latina e no Caribe, e algumas áreas registraram valores mínimos sem precedentes.
A América Latina abriga quase 9% do litoral mundial e possui ecossistemas marinhos fortemente influenciados por características regionais. Segundo o relatório, a acidificação dos oceanos, combinada ao aquecimento e à desoxigenação das águas, já está degradando ecossistemas formados por organismos calcificadores, especialmente recifes de coral de águas quentes e costas rochosas dominadas por corais, cracas e mexilhões. O fenômeno afeta a biodiversidade e a pesca.
Derretimento acelerado
Um dos estudos citados no relatório avaliou a perda de massa das geleiras em todo o mundo desde 1976. Segundo a análise, 41% da perda total registrada nesse período — equivalente a cerca de 10 milímetros de elevação do nível do mar — ocorreu apenas na última década (2015-2024).
A Cordilheira dos Andes desempenha papel relevante nesse cenário. “As geleiras andinas estão perdendo massa em ritmo acelerado, cerca de 35% mais rápido que a média global”, afirma Marengo.
As geleiras dos Andes fornecem água doce para aproximadamente 90 milhões de pessoas, abastecendo o consumo doméstico, a geração de energia hidrelétrica, a agricultura e atividades industriais.
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As temperaturas mínimas em áreas da Argentina, Chile e Uruguai ficaram entre 10°C e 15°C abaixo da média. Em 30 de junho, o ar frio estagnado nas cidades chilenas de Santiago, Rancagua e Talca provocou acúmulo de poluentes e piora da qualidade do ar.
“Esse evento foi considerado uma das ondas de frio mais intensas no Hemisfério Sul em décadas, com geadas e nevascas incomuns que se estenderam muito além de suas áreas típicas”, aponta o relatório.
Acesse a matéria original na íntegra no Observatório do Clima