São muitos os Vales da Morte

*Artigo original publicado no Valor Econômico

O CNPq, criado em 15 de janeiro de 1951 como Conselho Nacional de Pesquisas, nasceu sob a égide e a inspiração do relatório “Science, The Endless Frontier” (Ciência, a fronteira sem fim), de Vannevar Bush, principal assessor científico do presidente Franklin D. Roosevelt durante a Segunda Guerra Mundial. Nesse relatório, Bush argumentava que a pesquisa básica seria essencial para a saúde, a segurança e a prosperidade de uma nação, sendo o motor principal do desenvolvimento científico, tecnológico e industrial de um país. Conhecido como “modelo linear do desenvolvimento tecnológico”, esse conceito pautou as políticas de ciência e tecnologia (C&T) de muitos países no Ocidente, reinando absoluto e incontestado no Brasil.

O primeiro abalo sério nessa visão deveu-se ao “momento Sputnik”, como ficou conhecido o impacto que o lançamento do primeiro satélite artificial da Terra, pela então União Soviética, em outubro de 1957, causou nos Estados Unidos. “Como um país que não tem pesquisa de excelência conseguiu um feito desses?” era a pergunta que mobilizava jornais, corações e mentes nos EUA.

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Carlos Medicis Morel é membro titular da Academia Brasileira de Ciências, pesquisador emérito do CNPq, coordenador-geral do CDTS/Fiocruz e professor do programa de Pós-graduação em Políticas Públicas, Estratégias e Desenvolvimento do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (PPED/IE/UFRJ).

Ana Paula de Freitas Cosenza é doutora pelo PPED/IE/UFRJ e tecnologista do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos, Bio-Manguinhos/Fiocruz.

Claudia Chamas é professora do PPED/IE/UFRJ e responsável pela área de Colaborações Internacionais do CDTS/Fiocruz.

(Valor Econômico, 19/05/2026)