Ministra da CT&I lança nova estratégia nacional durante a Reunião Magna

Luciana Santos, ministra da CT&I, durante Sessão Solene da Reunião Magna 2026

Como parte de sua Reunião Magna 2026, a Academia Brasileira de Ciências (ABC), em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Marinha do Brasil, realizaram uma sessão solene na qual foram empossados os novos membros da Academia e entregue o Prêmio Alvaro Alberto, do CNPq. Presente na cerimônia, a ministra de CT&I, Luciana Santos, aproveitou a oportunidade para fazer o lançamento oficial da nova Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (ENCTI).

Fruto de mais de um ano de debates que culminaram na 5ª Conferência Nacional de CT&I, em agosto do ano passado, e de uma consulta pública na qual a sociedade civil foi convidada a contribuir, a ENCTI contou com a colaboração de mais de 100 mil pessoas e foi discutida em 270 eventos oficiais. Com o lema “CT&I para um Brasil justo, desenvolvido e soberano”, a estratégia norteará ações no setor até 2034.

Conforme apresentou a ministra, a ENCTI está dividida em quatro eixos:

Eixo 1: Expansão, Consolidação e Integração do Sistema Nacional de CT&I; visa fortalecer e capilarizar o sistema científico brasileiro, com instituições interiorizadas pelo território nacional e capazes de responder aos desafios de cada região. De acordo com Santos, esses desafios estão divididos entre as áreas em que o Brasil é líder global, como agricultura, energia renovável, saúde e bioeconomia; áreas em que o país têm excelência mas não é líder global; e áreas que ainda requerem maior interferência o governo para se desenvolver.

Eixo 2: Inovação Empresarial e Reindustrialização em Novas Bases Tecnológicas; pretende alavancar a inovação no setor privado, área em que o Brasil ainda está atrasado, criando cadeias nacionais de valor condizentes com as prioridades instituídas no Nova Indústria Brasil (NIB), entre as quais estão o complexo econômico-industrial da Saúde, a transformação digital da indústria, a transição energética, a base industrial de Defesa e a criação de cadeias sustentáveis no agro e nas cidades. Dentre as ferramentas estipuladas para essa alavancagem estão o fomento a hubs de inovação, expansão das compras governamentais e parcerias público-privadas.

Eixo 3: Projetos Estratégicos para a Soberania Nacional; objetiva superar a dependência externa em áreas críticas, com desafios organizados de acordo com a vulnerabilidade do país em cada área, como Tecnologias Digitais e da Informação; Minerais Estratégicos; Fármacos e Insumos Farmacêuticos; Radioisótopos; Insumos e Fertilizantes para a Agricultura; e Componentes para os Programas Espacial e Nuclear.

Eixo 4: CT&I para o Desenvolvimento Social; cujo foco é promover a cidadania, o bem-estar, os direitos sociais e reduzir a desigualdade através da CT&I. Entre os desafios estão a promoção e melhoramento da segurança alimentar; saúde; segurança pública; moradia; transporte; valorização e segurança no trabalho; e inclusão e diversidade.

“Há a necessidade de se aprofundar o resgate da área de CT&I promovido nos últimos três anos, transformando-a em pilar do desenvolvimento nacional. A soberania é chave para a sustentabilidade econômica, ambiental e social do desenvolvimento, enfrentando, através de políticas públicas adequadas e consistentes, a nossa ainda grande dependência externa”, defendeu Luciana Santos.

(Marcos Torres para ABC, 15/05/2026 | Fotos: Mário Marques)