O oceano do amanhã: o equilíbrio do planeta depende dos mares

Leia artigo de opinião dos Acadêmicos Luiz Drude de Lacerda e Edmo Campos, publicado no Estadão em 7 de maio:

Em meio à Década da Ciência Oceânica (2021-2030), proclamada pela Organização das Nações Unidas (ONU), a humanidade enfrenta um ponto crítico.

O bem-estar das próximas gerações e a própria integridade do ecossistema terrestre dependem de decisões urgentes sobre como gerimos nossos oceanos.

Atualmente, operamos perigosamente perto de limites que, se ultrapassados,podem comprometer seriamente o futuro do planeta.

Os oceanos cobrem 63% da superfície global e atuam como grandes reguladores do clima e dos ciclos biogeoquímicos. São como um escudo contra o aquecimento global, absorvendo 30% do CO2 emitido por atividades humanas e 90% do excesso de calor gerado.

No entanto, essa proteção tem um alto custo. O aumento da temperatura da água produz alterações nas correntes marinhas, intensificando ondas de calor e provocando a perda de oxigênio e o aumento da acidez.

Sensores instalados em grande profundidade indicam que a circulação de revolvimento meridional do Atlântico, conhecida pela sigla Amoc, está enfraquecendo, com o risco de sofrer uma mudança abrupta. Se atingir o “ponto de não retorno”, as consequências serão severas para o clima do planeta. O Hemisfério Norte ficaria mais frio e o Sul, mais quente, o que impactaria drasticamente a biodiversidade, a agricultura, a saúde e a vida social nessas regiões.

Em decorrência da absorção do excesso de calor, o aquecimento oceânico já causa mortalidade em massa em ecossistemas e fazendas de aquacultura. Recifes de coral sofrem com o branqueamento, sendo substituídos por espécies oportunistas e perdendo sua abundância em áreas rasas. Isso ameaça as egurança alimentar de 40% da população mundial que depende das águas do mar para sobreviver e se sustentar.

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Neste contexto, a Academia Brasileira de Ciências (ABC) colocou o futuro do oceano como tema central da próxima Reunião Magna, que ocorre entre 5 e 7 de maio, no Rio de Janeiro. Cientistas brasileiros e internacionais vão debater os desafios e possíveis soluções.

Os oceanos não são apenas fonte de recursos, fármacos e energia. É o ecossistema que mantém o planeta habitável. Compreender seu funcionamentodinâmico por meio de ciência transdisciplinar e ações multilaterais não é mais uma opção, mas uma necessidade urgente para estabelecer políticas públicas que garantam o nosso amanhã.

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Luiz Drude de Lacerda é membro titular da Academia Brasileira de Ciências (ABC), professor daUniversidade Federal do Ceará (UFC), é presidente do Conselho Científico doInstituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (Inpo)

Edmo Campos é professor da Universidade de São Paulo (USP), é membro titular da ABC e integra a rede de pesquisadores do Inpo

 

Leia o artigo na íntegra aqui

(Luiz Drude e Edmo Campos para Estadão, 7/5)