A biomédica Helena Bonciani Nader, presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), participou da Feira SUS Inova Brasil, realizada pelo Ministério da Saúde em parceria com a Prefeitura do Rio de Janeiro no Porto Maravalley, hub de inovação da cidade. A feira reuniu gestores, pesquisadores e startups voltado à saúde pública. Nader participou do 3º painel, sobre desenvolvimento produtivo e impacto social nos territórios, junto ao diretor do Instituto Butantan, Esper Kallás; ao diretor de Inovação do Hospital Albert Einstein, Rodrigo Demarch; e ao professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Denizar Vianna.
Helena Nader defendeu que as políticas públicas precisam ser integradas num Plano Nacional de Inovação que distribua de forma equitativa o dinheiro. Ela também elogiou a centralidade do projeto para o desenvolvimento do Complexo Econômico e Industrial da Saúde no Nova Indústria Brasil. Para a presidente da ABC, o país já provou no Agro que é capaz de produzir inovação em biotecnologia e deveria mirar em autossuficiência. “Precisamos ter química fina e produzir insumos para a saúde, não podemos ficar na dependência de insumos importados para produzir a inovação radical. Vamos continuar importando cloreto de sódio?”, questionou.
A biomédica lembrou que dez anos atrás o Brasil ainda não tinha a palavra inovação na Constituição e impunha barreiras impeditivas para quem quisesse inovar na universidade. “Quem quisesse dedicar oito horas por semana para colaborar com a indústria corria o risco de perder o emprego. Trabalhei muito quando presidente da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) por uma legislação da Inovação. Claro que não é todo mundo que vai fazer inovação, mas, para quem quer, hoje a lei permite”, incentivou.
Para o diretor do Hospital Albert Einstein, Rodrigo Demarchi, organizações de saúde do futuro serão aquelas capazes de interagir com startups e essa deve ser uma prioridade para políticas públicas. “Países desenvolvidos têm um ecossistema de startups muito mais disruptivo e fértil para o empreendedor”, afirmou. Na mesma linha, o diretor do Instituto Butantan, Esper Kallás, defendeu que o Brasil ainda precisa trabalhar sua parte regulatória e o compartilhamento dos riscos inerentes à inovação.
Moderando o encontro, o professor da UERJ Denizar Vianna lembrou que o Sistema Único de Saúde (SUS) é um dos maiores compradores centralizados de medicamentos e insumos do mundo. “Isso é um motor para a inovação radical, mas precisamos de priorização explícita em pesquisa e incorporação de tratamentos ao SUS, é o que os países desenvolvidos fazem. Precisamos identificar as vocações regionais, como foi com o fomento da pesquisa em malária na Região Norte”, defendeu. “Países desenvolvidos colocam aproximadamente 6% de seu PIB em Saúde, enquanto o Brasil ainda está na faixa dos 4%”, finalizou Demarchi.
Assista à mesa completa entre 4h55m e 5h40m do vídeo abaixo: