Enquanto o planeta acompanhava, embevecido, as imagens da missão americana Artemis II na órbita da Lua, a China, aqui na Terra, avança no desenvolvimento científico. Não é apenas no espaço que EUA e China disputam a liderança. E, a despeito do que as belas fotos americanas do mundo da Lua sugerem, são os chineses que lideram. A China se tornou a maior superpotência do mundo em investimento em ciência, mas não só.
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— Não é surpresa alguma a China ultrapassar os EUA e chegar à liderança da ciência mundial. É resultado de anos de investimento público e privado, um projeto nacional de desenvolvimento e soberania — afirma a presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), Helena Nader.
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— A China entende e valoriza a colaboração internacional como um motor da ciência, mas também como instrumento de geopolítica. Temos uma relação de paridade e somos muito bem recebidos. A China é muito receptiva ao Brasil — destaca o matemático Marcelo Viana, diretor-geral do Impa.
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Mão de obra básica
O crescimento é visível na base. Viana cita como exemplo o número de engenheiros formados a cada ano na China: 1,3 milhão. O Brasil tem 1,2 milhão de engenheiros no total, a título de comparação.
— Isso tem consequências. Engenheiros são mão de obra básica para inovação, transformação da matriz energética dentre outras coisas.
— Mesmo com a economia mundial em crise, a China continua investindo em ciência porque compreende a importância disso, inclusive na erradicação da pobreza. E mesmo em áreas em que não eram tão fortes, como saúde, o país tem inovado, faz ciência de alta qualidade. Os chineses se preocupam também com áreas fora do radar global, como, por exemplo, a emergência de doenças causadas por fungos — frisa Nader.
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— Se você quer ter uma visão do futuro, vá à China. Veja, por exemplo, a impressionante frota de carros elétricos, de trens de alta velocidade e a generalização do uso de robôs — conclui Viana.