Artigo publicado na Science revela superaquecimento dos lagos amazônicos.

*Texto original do Instituto Nacional de Pesquisas Amazônicas (Inpa)

Foto: Miguel Monteiro/ Instituto Mamiraua.

A baixa velocidade do vento, pouca profundidade da água, a alta turbidez, a forte radiação solar e a baixa cobertura de nuvens foram os principais fatores que levaram ao superaquecimento das águas dos lagos amazônicos durante a seca extrema de 2023, no Amazonas. O fenômeno resultou na morte de pelo menos 209 botos-vermelhos e tucuxis em menos de dois meses. As conclusões fazem parte de um artigo publicado na revista Science na quinta-feira (6), com a participação de pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI).

O ano de 2023 registrou ondas de calor recordes no mundo, com temperaturas elevadas do ar e da superfície do mar. Na Amazônia, a seca severa reduziu o nível de água em lagos da várzea a menos de dois metros, o mais baixo já registrado, provocando a morte de botos e de milhares de peixes. Nesse cenário, os lagos amazônicos deixaram de oferecer refúgio térmico para as espécies aquáticas, que ficaram expostas às altas temperaturas tanto na superfície quanto em profundidade.

Assinado por mais de 40 autores de instituições do Brasil, França e Estados Unidos, o estudo foi liderado pelo pesquisador do Instituto Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, Ayan Fleischmann. O trabalho analisou o aquecimento em dez lagos da Amazônia Central: Tefé, Coari, Samaumerinha, Amanã, Bua-Buá, Cedrinho, Janauacá, Calado, Miriti e Castanho. Entre setembro e outubro de 2023, no Lago Tefé (AM), a temperatura da água em toda a coluna d’água (volume de água da superfície até o fundo) ultrapassou 40 graus Celsius (°C) por vários dias, chegando a 41 °C, níveis nunca registrados em águas interiores tropicais.

“O artigo mostra que, em Tefé, toda a coluna d’água atingiu valores superiores a 40°C, sem qualquer camada mais fria para servir de refúgio. Nessas condições, os peixes — organismos ectotérmicos com tolerâncias térmicas estreitas — ficam submetidos a temperaturas letais contínuas. Além do estresse térmico direto, a água quente reduz drasticamente o oxigênio dissolvido, agravando a hipoxemia”, explica o pesquisador do Inpa e coautor do artigo, Adalberto Luis Val.

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Leia a matéria completa no site do Inpa.

Acesse o artigo na Science.

 

(Inpa, 10/11/2025)