Durante a COP30, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) promove, no Museu Paraense Emílio Goeldi, em Belém (PA), a Casa da Ciência do Brasil em Mudanças Climáticas. Concebido como um espaço de convergência entre ciência, tecnologia, inovação e saberes tradicionais, o ambiente reunirá especialistas nacionais e internacionais para discutir soluções concretas diante dos impactos das mudanças climáticas — com a Amazônia como eixo estruturante.
Embora a presidente da Academia Brasileria de Ciências (ABC), Helena Nader, não tenha podido participar em pessoa da COP 30, em Belém, ela foi representada por Acadêmicos em diversas ocasiões. O vice-presidente da ABC para a Região Norte, Adalberto Luis Val, professor do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), a representou na abertura da Casa da Ciência do Brasil em Mudanças Climáticas. Além de Val, estavam na mesa de abertura a ministra Luciana Santos, o presidente da Finep, Luiz Elias, o vice-presidente regional da ABC Adalberto Val, a representante da SBPC Marilene Correa, a representante da Secretaria de Políticas e Programas Estratégicos (Seppe) do MCTI e Acadêmica Andrea Latgé e o diretor do MPEG, Nilson Gabbas.

Em seu discurso, Val relembrou uma mesa que organizou, a pedido de Ana Toni, na COP28, realizada em Sharm El Sheik, no Egito, com a presença do presidente Lula, recém-eleito. “Em minha breve fala, pedi a ele três ações muito simples, mas essenciais: trazer de volta ao Brasil nossos jovens cientistas, formados e preparados no exterior; dar atenção especial à ciência e tecnologia na Amazônia, com a recomposição dos quadros de pesquisa; e implantar programas para estimular a interação entre a ciência que fazemos e a ciência construída há milênios pelos povos originários“, relatou o cientista.
Essas três ideias, de acordo com Val, permanecem atuais e ganham novo sentido ali, na Casa da Ciência do Brasil em Mudanças Climáticas, um espaço que simboliza não apenas o conhecimento, mas o compromisso de uma nação com o seu futuro. “Vivemos um tempo em que a ciência deixou de ser uma opção: ela é uma necessidade vital. Em cada decisão sobre energia, alimentação, saúde ou ambiente, a ciência precisa estar presente — com base sólida, com ética e com visão de longo prazo. Sem ciência, caminhamos no escuro; e sem a sua socialização, caminhamos sozinhos”, alertou. Neste cenário, iniciativas como a Casa da Ciência se tornam ainda mais importantes, porque elas aproximam o conhecimento científico da sociedade, formam pontes e não muros, e reforçam que ninguém pode ficar para trás nesse processo de transição climática e civilizatória.
A Amazônia, nesse contexto, é mais do que um bioma, na visão de Val. “É um laboratório vivo, um patrimônio global da biodiversidade e da inteligência da natureza. É também uma fronteira científica que nos ensina, todos os dias, sobre a interdependência entre clima, vida e humanidade. Sem compreender e cuidar da Amazônia, não compreenderemos o próprio planeta”. Ele reiterou o compromisso da Academia Brasileira de Ciências em fortalecer a ciência como bem público, promover o diálogo entre saberes e apoiar políticas baseadas em evidências. “O desafio das mudanças climáticas não é apenas ambiental, é ético, social e científico. E sua resposta só será eficaz se for coletiva, inclusiva e guiada pelo conhecimento”, concluiu.
A programação da Casa da Ciência contará com sessões diárias, incluindo palestras magnas e mesas-redondas interdisciplinares, abordando temas como resiliência climática e educação científica, inteligência artificial e sistemas de alerta, soluções baseadas na natureza, gestão hídrica, desertificação e segurança alimentar, além de energia sustentável e bioeconomia. Diversos Acadêmicos estão na programação, como Denise Pires de Carvalho, Fernando RIzzo, José Marengo, Segen Estefen, Philip Fearnside, Adalberto Val, Mercedes Bustamante, Flavio Kapczinsky, Paulo Artaxo e Carlos Nobre. A proposta reforça o protagonismo das unidades de pesquisa do MCTI, conectando justiça climática, conhecimento tradicional, redes de pesquisa internacionais, uso de dados abertos, modelagem climática avançada e a popularização da ciência como instrumentos essenciais para um futuro sustentável.
Confiram!