A universidade brasileira precisa sair da bolha e inovar mais

*Artigo publicado no portal The Conversation

A pós-graduação brasileira, pensada em 1968 para formar docentes em universidades, cumpriu com êxito uma missão gigante. Na época, o Brasil tinha menos de mil pessoas com o grau de doutor, hoje já temos 200 mil, que formam 25 mil doutores por ano. Nossa produção de conhecimento, que era pequena, saltou para o 13º lugar no ranking de pesquisa do mundo. Mas, cumprida essa importante etapa evolutiva na educação, a universidade hoje tem de ser repensada e reformulada para ampliar seu papel crucial no desenvolvimento social, econômico e ambiental do país.

Os dados que justificam essa reforma são eloquentes. Embora já sejamos um relevante formador de pessoas qualificadas e de conhecimento científico, amargamos a 49ª posição no Índice Global de Inovação, o que resulta da baixa inserção da ciência e tecnologia na vida do país.

Nos países bem-sucedidos em fazer essa inserção, tipicamente dois terços dos investimentos em pesquisa são realizados pelo setor privado e um terço pelo Estado, mas no Brasil essas proporções são invertidas.

Isso, em parte, ocorre porque a ciência brasileira foi estruturada em torno da sua pós-graduação, o que resultou numa educação mais acadêmica, que forma pouca gente voltada para a inovação, capaz atender a demanda do setor empresarial contemporâneo, cada vez mais focado em conhecimento e avanço tecnológico.

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(The Conversation, 10/10/2024 | Foto: Artur Moês SGCOM/UFRJ)