SBPC e ABC encaminham carta aos deputados sobre royalties do petróleo

As entidades encaminharam hoje uma carta ao presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia, ao relator do projeto, deputado Carlos Zaratini, com cópia para todos os deputados. O texto trata do regime de partilha dos royalties do petróleo. A previsão é que o projeto seja colocado em votação na próxima semana.

Confira a íntegra:

Senhor Deputado,

A Academia Brasileira de Ciências (ABC) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) têm se manifestado sistematicamente sobre o PL nº 8051/2010 que trata do regime de partilha dos royalties do petróleo, inclusive da camada do pré-sal.

Consideramos ser este um momento crucial para que os Senhores Deputados tomem a decisão acertada para
garantir que os recursos oriundos da exploração do petróleo em nosso território, se revertam em benefícios duradouros de grande impacto para a sociedade brasileira. Lembramos que esse recurso natural esgotar-se-á no futuro e, portanto, as decisões a serem tomadas no presente, serão fundamentais para garantir seu bom aproveitamento de forma sustentável em benefício de todos brasileiros. A oportunidade única dessa tomada de decisão política e estratégica terá impacto direto na competitividade científico-tecnológica e de inovação do País e, consequentemente, na qualidade de vida das futuras gerações de brasileiros. Como comprovado pelo exemplo de outras nações mais desenvolvidas, os avanços na ciência refletem-se na apropriação de novas tecnologias e na inovação, o que se traduz em maiores oportunidades de empregos e geração de renda para a sociedade como um todo, contribuindo de forma fundamental para a erradicação da pobreza.

Neste sentido, solicitamos aos senhores deputados que mantenham a coerência apresentada em todas as manifestações e atos públicos realizados nessa Casa sobre a destinação dos recursos dos royalties do petróleo para a ciência, tecnologia e educação, fato este manifestado por sucessivos Ministros de Estado da Ciência, Tecnologia e Inovação. Reiteramos aqui a necessidade absoluta de recuperação integral do Fundo CT-Petro mediante os recursos do regime de concessão, que hoje representam 45% dos regimes globais do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT).

Um exemplo claro da relevância desses recursos para o desenvolvimento do País, é sua excepcional excelência na exploração de petróleo em águas profundas, a qual se deve aos investimentos do FNDCT através do CT-Petro. Foi assim possível aumentar o investimento em pesquisas e projetos de ciência e tecnologia e inovação, bem como de infra-estrutura laboratorial nas universidades, institutos e centros de pesquisa do País. Tais investimentos contribuíram também para que o Brasil passasse a ocupar hoje a 13ª posição no ranking mundial da ciência, sendo responsável por 2,7% da produção científica mundial e 56% do total da América Latina.

A proposta que apresentamos e defendemos em diversos fóruns é clara e objetiva. Reivindicamos que 50% dos royalties oriundos do pré-sal sejam destinados à educação, ciência e tecnologia. Não apenas à educação, não apenas à ciência e tecnologia. Porque sabemos que não há ciência e tecnologia sem educação universal de qualidade, assim como não haverá desenvolvimento sustentável sem uma base sólida de ciência, tecnologia e inovação. Só assim poderemos atingir o patamar de evolução sócio-econômica dos países avançados de forma sustentável com justiça social e, particularmente, com a erradicação da pobreza. Só assim seremos capazes de investir 10% do orçamento da nação em educação em 2020, como aprovado pelo Congresso Nacional. Só assim poderemos investir 3% de nosso Produto Interno Bruto em CT&I, como fazem as nações mais avançadas e como planejam as emergentes que ambicionam alcançá-las.

Respeitosa e muito cordialmente,

Jacob Palis
Presidente da Academia Brasileira de Ciências

Helena Bonciani Nader
Presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência