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Ciências Químicas | MEMBRO TITULAR

Luiz Roberto de Moraes Pitombo

(PITOMBO, L. R. M.)

18/04/1926
Brasileira
08/04/1994

Cursando ginásio de cinco anos, com três de Química, na Escola Normal Caetano de Campos (São Paulo, SP), teve oportunidade de trabalhar como preparador das aulas de Química do excelente Prof. Osório de Freitas. É interessante ressaltar que sua maior preocupação sempre foi desenvolver o conteúdo do conhecimento químico ligado à química real, sem esquecer de dar a devida ênfase aos modelos abstratos.
O passo decisivo para escolha da Química como campo profissional foi dado graças ao auxílio do Prof. Remolo Ciola. Colega e amigo, nos idos de 1945 convidou-o para visitar o Departamento de Química da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo. Durante certo tempo freqüentou as magistrais aulas do Prof. H. Rheinboldt, e vivenciou o dia a dia dos alunos. De posse destes dados não foi difícil a opção. No curso seguido, duas áreas o atraíram: Química Analítica e Química Orgânica e Biológica. Nesta última teve a oportunidade de estagiar auxiliando alguns doutorandos. Nova definição surgiu, dedicar-se-ia à pesquisa e, se possível, à vida acadêmica.
Formado, iniciou contatos objetivando trabalhar com o Prof. Fritz Feigl, no Laboratório de Produção Mineral do Rio de Janeiro ou na Fundação A. & V. Matarazzo, onde o Prof. Giuseppe Cilento já estava desenvolvendo importantes pesquisas sobre substâncias carcinogênicas.
Neste ínterim, foi convidado pelo Prof. H. Rheinboldt para trabalhar no Departamento de Química já mencionado. Atuou no ensino de Química Analítica e em 1954 obteve o grau de doutor – último doutorando do Prof. H. Rheinboldt, que veio a falecer em 1955. Para sobreviver, durante estes quatro anos, lecionou Química no 2º grau.
Nesta ocasião redirecionou sua vida acadêmica, passando, em regime de tempo integral, a colaborar com o Prof. P. Senise, amigo de todos os dias e mestre de sempre, em pesquisas na área de Química Analítica.
O seu pós-doutoramento, circunstancialmente um pouco tardio, se deu em 1964. Nesta época, apesar do pressuposto básico ser a aplicabilidade, a grande maioria da pesquisa acadêmica em Química Analítica centrava-se na detecção e determinação em sistemas bem comportados (não em matrizes reais). Entretanto, trabalhando com o Prof. Philip West, pioneiro da Química Analítica Ambiental nos Estados Unidos, percebeu claramente que a detecção ou determinação das espécies químicas são parte de processo mais geral (amostragem, separação, detecção, determinação, interpretação dos dados e tomada de decisões com maiores ou menores implicações sócio-econômicas e políticas). Posteriormente, em 1968-1969, trabalhando com o grupo do “National Center for Atmospheric Research” , Boulder, Colorado, analisando o ar da floresta amazônica, a visão sistêmica do conhecimento científico se consolidou.
A tão decantada interdisciplinaridade passou a ser a linha mestra em todas as pesquisas e ações. O importante são as interações entre os campos de conhecimento e não eles isolados em si mesmos.
Convém ressaltar que outro campo de trabalho, na área de ensino-aprendizagem da Química foi iniciado nos idos de 1970. Persistência e paciência fizeram este campo consolidar-se com a formação do Grupo de Pesquisa em Educação Química (GEPEQ) no Instituto de Química – USP.