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Ciências da Saúde | MEMBRO TITULAR

José Rodrigues Coura

(COURA, J. R.)

15/06/1927
Brasileira
28/05/2001

José Rodrigues Coura, filho de Lupércio Rodrigues Coura e Ercília Coura, nasceu em 15 de junho de 1927, em Taperoá, pequena cidade do Sertão da Paraíba, onde fez o curso primário no Grupo Escolar Felix Daltro. Sem alternativa para continuar os estudos em sua cidade natal, foi interno no Colégio Diocesano de Patos, também no Sertão daquele estado, de 1941 a 1944, quando concluiu o 1º grau. De janeiro de 1945 a julho de 1946, auxiliou os seus pais, em uma pequena propriedade rural que possuíam no município de Taperoá. Em agosto de 1946 migrou para o Rio de Janeiro, visando continuar os seus estudos. De setembro a dezembro daquele ano trabalhou como auxiliar de escritório na Standard Oil (hoje Esso do Brasil), até ser convocado para o Exército de 1947.
Em 1948 reiniciou os seus estudos, matriculando-se no curso noturno do Colégio Frederico Ribeiro, uma vez que precisava trabalhar durante o dia para custear as despesas pessoais e com os estudos. Concluiu o curso secundário em 1950. Em 1951 fez o curso pré-vestibular e em 1952 ingressou na Faculdade de Medicina da então Universidade do Brasil, graduando-se em dezembro de 1957. Ainda como estudante de Medicina casou-se, em junho de 1957 com sua colega de turma Léa Ferreira Camillo Coura, com quem teve os filhos Evandro Cesar, Lúcia e Luciana Maria Camillo Coura.
Durante o curso médico, estagiou, no 2º ano, nos Laboratórios da Policlínica Geral do Rio de Janeiro e do Hospital Souza Aguiar, no 3º ano, na 5ª Cadeira de Clínica Médica, com o Professor Magalhães Gomes, no 4º ano, na 4ª Cadeira de Clínica Médica, com o professor Clementino Fraga Filho, ambas na Santa Casa de Misericórdia e na Maternidade Clara Basbaum, chefiada pelo Professor Francisco Carlos Grelle; no 5º e 6º ano, estagiou na 3ª Cadeira de Clínica Médica, com os Professores Luiz Feijó e Armando Puig, entre outros, no Hospital Moncorvo Filho e Pronto Socorro do Hospital Souza Aguiar.
No 1º semestre de 1958 fez curso de aperfeiçoamento no Serviço do Professor Luiz Decourt, com os Drs. João e Bernardino Tranchesi, no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e no 2º semestre daquele ano fez o curso da Escola de Saúde do Exército, permanecendo como médico militar até 22 de outubro de 1962, quando deixou o Exército no posto de Capitão Médico, para dedicar-se integralmente à carreira universitária.
Em 1º de março de 1960, foi contratado como Instrutor de Ensino da Cadeira de Clínica de Doenças Tropicais e Infectuosas, chefiada pelo Professor José Rodrigues da Silva, no pavilhão Carlos Chagas do Hospital São Francisco de Assis, da Faculdade de Medicina da então Universidade do Brasil. Trabalhou com o Professor Rodrigues da Silva até a sua morte em 26 de maio de 1968, a quem substituiu na cátedra, e continua reverenciando a sua memória até os dias atuais. Em 1963, foi agraciado pelo Conselho Britânico com uma bolsa de estudos na Universidade de Londres, onde permaneceu até agosto de 1964, fazendo cursos de aperfeiçoamento em Medicina Interna e Cardiologia, respectivamente no Hammersmith e National Heart Hospitals, participando nas sessões semanais do Brompton (doenças pulmonares) e do Royal Free (doenças hepáticas), com a Professora Sheila Scherlock e ocasionalmente na London School of Tropical Medicine and Hygiene, todos como base para a sua Livre-Docência que faria na UFRJ, em 1965.
Em dezembro de 1965 fez sua Livre-Docência na Cadeira de Clínica de Doenças Tropicais e Infectuosas da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro, submetendo-se à prova escrita, prova prática com exame clínico e discussão do diagnóstico de um caso sorteado, exame de curriculum vitae e provas públicas de aula e defesa da tese “Contribuição ao estudo da Doença de Chagas no Estado da Guanabara”, aprovado com distinção em todas provas, obtendo os títulos de Livre-Docente e Doutor em Medicina pela UFRJ, sendo promovido em consequência a Professor adjunto.
Em fevereiro de 1966 fez concurso de Títulos para Professor titular contratado da Disciplina de Doenças Infecciosas e Parasitárias da Faculdade de Medicina da Universidade Federal Fluminense, obtendo o 1º lugar entre os 4 candidatos concorrentes. No Hospital Antonio Pedro organizou um modelar e moderno Serviço de Doenças Infecciosas, reformulou e modernizou o currículo da Disciplina de Doenças Infecciosas, formando numerosos discípulos. Em 1970 fez o Concurso Público de Títulos e Provas para provimento efetivo daquela disciplina, sendo aprovado com nota 10 em todas as provas.
Com o falecimento do Professor José Rodrigues da Silva, em maio de 1968, assumiu, na qualidade de único Livre Docente e Doutor, a Regência da Disciplina de Doenças Infecciosas e Parasitárias da Faculdade de Medicina da UFRJ e a Chefia do Serviço do Pavilhão Carlos Chagas, aguardando até 1971 a abertura do concurso público. Com a proibição de abertura de concurso na época diante da vacância da disciplina por mais de três anos, o então Diretor da Faculdade de Medicina, Professor José Leme Lopes propôs à Congregação da Faculdade de Medicina a sua transferência da Universidade Federal Fluminense, o que foi aprovado por unanimidade da Congregação. Ainda em 1971 foi eleito Chefe do Departamento de Medicina Preventiva da UFRJ.
Em 1970 organizou o Curso de Pós-graduação (Mestrado e Doutorado) em Doenças Infecciosas e Parasitárias na UFRJ, o primeiro curso da área médica credenciado no Brasil pelo Conselho Federal de Educação, classificado com o conceito máximo pelo sistema CAPES/CNPq desde a sua criação até a presente data, formando mais de uma centena de mestres e doutores, os quais trabalham em diversas Universidades e Serviços da Saúde Pública no Brasil e no exterior.
Ainda na UFRJ organizou e modernizou, em 1971, o Departamento de Medicina Preventiva com 4 disciplinas: Doenças Infecciosas e Parasitárias, Epidemiologia, Medicina Ocupacional e Saúde Pública, o qual serviu de modelo para vários outros no Brasil, organização esta que lhe valeu o convite do Professor José de Paula Lopes Pontes, Diretor da Faculdade de Medicina, para ministrar a Aula Magna de abertura dos cursos de 1972, sob o título “Relevância do Ensino da Medicina Preventiva para o Profissional da Saúde” – a última destas aulas ministrada na sede da Faculdade, na Praia Vermelha, quando ainda era o mais jovem entre os Professores titulares daquela casa. Organizou e instalou o atual Serviço de Doenças Infecciosas no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, do qual foi Diretor da Divisão de Saúde da Comunidade, em 1978.
Sócio fundador da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical em 1962, do qual foi Secretário, Secretário Geral e Presidente desde a sua fundação até 1975. Foi Presidente de Conselho de Medicina do CNPq, de 1976 a 1978, membro do Comitê de Doenças Endêmicas daquele Conselho de 1974 a 1984, do Steering Comittee do TRD/OMS de 1978 a 1984 e do Comitê de Pesquisa da OPS de 1979 a 1986. É Professor “Honoris Causa” das Universidades Federais da Paraíba, Ceará e Piauí pela sua atuação na Pós-graduação e Professor emérito da Faculdade de Medicina de Campos por ter sido seu fundador. Membro titular da Academia Nacional de Medicina desde 1978.
Em março de 1979 foi convidado para a Vice-Presidência de Pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz e Direção do Instituto Oswaldo Cruz, cargos cuja aceitação condicionou ao seu não afastamento das funções de Professor titular da UFRJ, através do estabelecimento de um convênio para desenvolvimento das disciplinas básicas dos domínios conexos do Curso de Pós-graduação em Doenças Infecciosas e Parasitárias da UFRJ, na FIOCRUZ, até 1985, quando se licenciou para um pós-doutorado como “Fellow” no NIH, nos Estados Unidos. Quando regressou dos Estados Unidos em 1986, assumiu a Chefia do Departamento de Medicina Tropical do Instituto Oswaldo Cruz, continuando uma estreita colaboração na área de pós-graduação entre o Curso de Pós-graduação em Medicina Tropical, que criou no Instituto Oswaldo Cruz com o de Doenças Infecciosas e Parasitárias da UFRJ. Nos 30 anos que atua na pós-graduação, orientou pessoalmente mais de 50 Teses de Mestrado e Doutorado na UFRJ e no Instituto Oswaldo Cruz e tem discípulos em praticamente todas as universidades brasileiras, do Amazonas ao Rio Grande do Sul.
Com 54 anos de Serviço Público, 40 dos quais dedicados à vida acadêmica, publicou mais de 200 trabalhos por extenso em revistas nacionais e internacionais indexadas e mais de 300 resumos em anais de congressos, nacionais e internacionais, a grande maioria sobre doenças infecciosas e parasitárias, particularmente sobre Doença de Chagas e Esquistossomose, seus campos de pesquisa desde a década de 60 e alguns sobre Educação Médica.
Defendeu duas Teses, respectivamente sobre doença de Chagas e Esquistossomose e publicou quatro livros: Esquistossomose Pulmonar, Doença de Chagas e um comemorativo do seu Jubileu de Prata (25 anos como Professor da UFRJ), intitulado “Momentos de Ontem e de Sempre”, onde homenageia seus mestres, colegas e discípulos. Finalmente acaba de editar o Livro do Centenário do Instituto Oswaldo Cruz, uma obra prima do Centenário da Medicina Experimental no Brasil.
Em maio de 1997 foi eleito por unanimidade Diretor do Instituto Oswaldo Cruz, cargo que exerce pela 2ª vez, no qual dedica-se a uma reformulação e modernização institucional desta Unidade da Fiocruz. No seu primeiro mandato na Fiocruz promoveu uma verdadeira renovação institucional, que agora se completa no seu segundo mandato, quando comemora o 1º Centenário do Instituto Oswaldo Cruz em 25 de maio de 2000.