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Henrique Charles Morize - Um
grande benfeitor da instrução pública
Revista de Ciências
Órgão da Sociedade Brasileira de Ciências, n.º 1, IV Ano, 1920,
p. 28 a 29.
"A universal carestia tem perturbado a vida de todas as classes
sociais em todos os países. Mas, entre todos os que tem sofrido sem
obter alívio dos poderes públicos, estão os membros do
professorado, de cuja ação depende, entretanto, o futuro de cada
país, porque são eles que formam o cidadão e lhe fornecem as
armas pacíficas que lhes permitirão alcançar a vitória, para si
e para a pátria. No entanto, os educadores de todas as classes não
podem, pelo seu número relativamente pequeno, impor o
reconhecimento de suas legítimas necessidades aos Congressos
Legislativos, como fazem, com êxito, por meio de repetidas greves,
operários e até funcionários de vias férreas e dos telégrafos,
porque constituem considerável força política. Nos Estados
Unidos, embora sejam atualmente o povo mais rico da Terra, essa
grave dificuldade se faz sentir como entre nós, a ponto do
Presidente do General Education Board, Dr. Wallace Buttrick,
declarar em relatório oficial: "É urgentemente necessário
tomar providências, no sentido de aumentar as remunerações de
maneira que os membros do magistério se conservem competentes e se
considerem felizes em sua profissão, para que jovens dos dois
sexos, com vocação para o ensino, não sejam desanimados de
toma-lo como carreira, e finalmente, para que não seja necessário
aumentar as taxas de ensino, e assim obstar às justas aspirações
do ensino acadêmico daqueles que não podem pagar mais que
atualmente". Há, felizmente para os Estados Unidos, homens
clarividentes, ricos e generosos, que, considerando a extraordinária
importância exercida no desenvolvimento da riqueza nacional pela
instrução pública, sob todas suas formas, os quais, sem pedir o
auxílio dos políticos que não têm tempo para tratar desses
assuntos, nobremente vêm auxiliar universidades e colégios na difícil
situação em que os deixa o geral aumento do preço de todas as
utilidades. Assim, o ilustre benfeitor da Humanidade, John
Rockefeller, que já estendeu sua generosidade até o Brasil, acaba
de dar à Instituição que tem seu nome a quantia de 50.000.000 de
dólares, e mais, igual quantia ao General Education Board, cujo
Presidente formulava as queixas mencionadas mais acima. Esse
descomunal donativo foi acompanhado por uma carta em que Rockefeller
revela a sua clara compreensão das necessidades mais urgentes de
sua nação, às quais são naturalmente postas de lado pelos
Membros do Congresso, que, como em toda a parte, encontram mais
interesse nas questões partidárias. Diz ele: "A atenção do
público americano tem sido recentemente chamada sobre a urgente e
imediata necessidade de prover os membros do professorado com
retribuições mais adequadas. É da maior importância que aqueles
a quem fica confiada a educação da mocidade e o aumento do saber,
não sejam levados a abandonar sua profissão sob pressão de questões
financeiras, ou a permanência nela no meio do desânimo resultante
de insuficiências pecuniárias". "É de igual importância
para nossa futura prosperidade e nosso progresso, que moços e
senhoras competentes não sejam, por análogas razões, impedidos de
consagrar suas vidas ao ensino. (Science, Friday 2,
1920, p. 12). Anteriormente, Rockefeller
já havia dado ao mesmo Board 32.000.000 de dólares. Ao mesmo
tempo, presenteava a Fundação Rockefeller com 50.000.000 de dólares,
acompanhados por uma carta em que diz que, sem querer impor restrição
alguma ao uso que dessa quantia podiam fazer os chefes daquela
Instituição, o generoso donatário expressa a esperança de ser
empregada no combate universal contra a doença, no aperfeiçoamento
da educação médica, na administração pública sanitária e em
pesquisas científicas. Com a última dádiva, o total das quantias
recebidas pela Fundação Rockefeller desde seu início, monta a
182.000.000 de dólares ou, aproximadamente, a 782 mil contos de
nossa moeda. Quando terá o Brasil a honra e a felicidade de possuir
um êmulo de Rockefeller?"
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