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Data: 21 de abril de 2020

Local: http://transmissao.abc.org.br

O MUNDO A PARTIR DO CORONAVÍRUS, Ed. 03 | TRABALHO E DIVERSIDADE

A Academia Brasileira de Ciências (ABC) convidou para seu terceiro webinário transdisciplinar, O MUNDO A PARTIR DO CORONAVÍRUS, Ed. 3 | TRABALHO E DIVERSIDADE, a socióloga Nadya Araujo Guimarães, a jornalista Sabine Righetti e a diretora da ABC Marcia Barbosa.

O debate foi mediado pelo presidente da ABC, Luiz Davidovich.


SERVIÇO:
Evento: Webinários da ABC | O mundo a partir do Coronavírus, Ed.03 | Trabalho e Diversidade
Data: 3ª feira, 21/04/2020
Hora: 16h às 18h
Evento no Facebook: FanPage

Local: http://transmissao.abc.org.br

 


Assista a gravação completa do 1º Webinário aqui.


 


Assista a gravação completa do 2º Webinário aqui.


 

  • Nadya Guimarães

    Professora titular do Departamento de Sociologia da Universidade de São Paulo (USP) e membro titular da Academia Brasileira de Ciências (ABC). Suas pesquisas em sociologia econômica e do trabalho envolve temas como mudança econômica, reestruturação das firmas e trajetórias dos trabalhadores; desigualdades de gênero e raça no mercado e locais de trabalho; desemprego, procura de trabalho e mecanismos de intermediação de empregos; as novas relações de emprego e os desafios de sua teorização.

 

  • Sabine Righetti

    Pesquisadora doutora no Labjor/Unicamp e codiretora da Agência Bori, criada com apoio do Instituto Serrapilheira. Trabalha com a compreensão do que fazem as instituições de ensino e pesquisa e como comunicam o que fazem à sociedade. Nesse âmbito, desenvolve pesquisas em comunicação de ciência, percepção pública da ciência e da tecnologia, avaliação de ciência, indicadores de ensino superior e avaliação de políticas públicas. Jornalista atuante, trabalhou na Folha de S. Paulo na cobertura de temas de ciência e de educação, recebendo diversos prêmios.

 

  • Marcia Barbosa

    Professora titular da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, trabalha com física da matéria condensada. Em 2013 ganhou o prêmio L’Oréal-Unesco de Mulheres nas Ciências e o prêmio Claudia em Ciência. Em paralelo, atua em questões de gênero, pelo que ganhou a Medalha Nicholson da American Physical Society e, por sua atuação pela pós-graduação, ganhou o Prêmio Anísio Teixeira da Capes.

 

 

  • Mediador | Luiz Davidovich

    Presidente da Academia Brasileira de Ciências, secretário geral da Academia Mundial de Ciências (TWAS) e membro da National Academy of Sciences (NAS/EUA). Professor titular da UFRJ, desenvolve pesquisas em óptica quântica e informação quântica.

 

 

Durante o encontro virtual vários internautas fizeram perguntas e não houve tempo para todas as respostas. Confira aqui as perguntas registradas e as respostas enviadas pelos webinaristas!


1) Santos Santos Marcelo: O Roda Viva de ontem termina com a entrevistada Profa. Monica de Bolle informando a quem ainda não percebeu que o “no momento, quem dita o tempo é a ciência e não a economia”. Isso se reflete também na cobertura da imprensa, dando espaço à ciência semelhante à cobertura de economia. Como fazer para esse panorama se equilibrar melhor no pós-pandemia?

Sabine R.: Eu costumo dizer que a cobertura da imprensa pauta os debates na sociedade, mas também reflete a demanda da sociedade. Se vivemos em uma sociedade ávida por informação científica, é claro que o espaço de ciência nos meios de comunicação vai se ampliar. A partir do momento em que os textos de ciência forem os
mais lidos, os mais comentados nas redes sociais, os programas de TV sobre ciência tiverem as maiores audiências — como tem acontecido agora na pandemia –, então ciência ganhará mais espaço em todos os meios de comunicação. O que quero dizer é que, sozinha, a imprensa dificilmente dará conta de ampliar o espaço de ciência se não estiver baseada em uma demanda real da população.


2) Denis Maia: Como conviver com um bombardeio de informações contraditórias? Faltam leitos ou hospitais vazios?

Sabine R.: É preciso eleger alguns meios de informação para se informar — e confiar nesses meios de informação. Eu, claro, defendo que esses meios de informação sejam jornalísticos. Eu costumo me informar pelos grandes jornais diários nacionais, por grandes jornais diários estrangeiros, por alguns programas de TV especializados de entrevista etc. Na imprensa séria, não há informação sobre hospitais vazios, mas sim
sobre hospitais já completamente sobrecarregados (caso de Manaus) ou hospitais com demandas crescentes em cidades que ainda não chegaram no pico da pandemia (caso de São Paulo). Vídeos mostrando salas de espera de pronto-atendimento vazios, e que não mostram as UTIs cheias, são desinformação que em geral chegam por redes sociais e que tem um objetivo: fazer as pessoas acreditarem que o vírus não é tão sério e que o isolamento social é desnecessário — tudo ao contrário do que a ciência diz.


3) Michele Schultz: O cuidado é social e culturalmente atribuído às mulheres. Durante a pandemia, além dos trabalhos, doméstico e acadêmico, o cuidado ficou sob responsabilidade das mulheres, ainda que haja alguns parceiros que compartilhem o trabalho doméstico. Gostaria que comentassem a escassez de mulheres na atuação política e na participação em comitês de crise tomando como exemplo países que têm mulheres como pivôs na gestão da pandemia. O cuidado, por ser um domínio feminino, pode ter influenciado o sucesso em tais gestões, como na Alemanha ou Portugal?

Nadya Guimarães: Muito interessante o comentário. A escassez de mulheres nos comitês de crise das ações de cuidado na pandemia destoa da enorme presença de mulheres na linha de frente do trato com os pacientes (médicas, enfermeiras, auxiliares e técnicas de enfermagem, fisioterapeutas, cuidadoras), majoritariamente mulheres. O interessante do comentário é chamar a atenção para o fato de que quando se trata de posições com poder decisório elevado, mesmo em áreas onde as mulheres são indiscutível maioria, elas se tornam minoria. Seria interessante verificar, não apenas se a presença de mulheres é maior nos casos bem sucedidos (como Alemanha e Portugal), não saberia dizer, mas agrego outra indagação, inspirada na sua pergunta: ali onde as
mulheres têm o comando politico nos países (além da Alemanha isso é verdade para Nova Zelândia, onde a primeira ministra ganhou proeminência com bandeiras de apoio aos atingidos, Islândia, Finlândia, Dinamarca, Noruega, Taiwan), há mais mulheres no comando das ações no topo da hierarquia da luta contra a Covid? Esses países têm sido apontados como mais eficientes no controle da epidemia, mas serão mulheres as que
estão no comando as comissões de gestão da crise?Interessante verificar, seguindo a sua pista. Grata pela dica!


4) Rodrigo Rodrigo: Gostaria de saber a opinião das palestrantes sobre a política do governo atual em relação ao fomento a pesquisa e extensão?

Márcia B.: A política atual em ciência e tecnologia combina cortes profundos (veja o link http://www.ipea.gov.br/cts/pt/central-de-conteudo/todas-aspublicacoes/publicacoes/171-investimentos-federais-em-pesquisa-e-desenvolvimentoestimativas-para-o-periodo-2000-2020 ) com o aprofundamento do congelamento iniciado em 2016. Além disso, há uma política no Mec de desacreditar a Universidade pública e a pós-graduação, inclusive com ataques a formas de avaliação. Finalmente há uma política recente de priorizar coisas aplicadas em detrimento ao conhecimento básico e a setores de ciências sociais. A política mira em tornar o Brasil um país de serviços com setores técnicos (não escrevi tecnológicos). Dados da minha palestra vão em anexo. Referências exatas posso enviar pedindo para o meu email marcia.barbosa@ufrgs.br.


5) Cristina Delou: Essa temática é muito importante para ser discutida sob a ótica das pesquisadoras surdas, por exemplo. Como elas participariam deste webinar sem intérpretes em Libras? E a questão da saúde dos pesquisadores cadeirantes, que fazem parte do público vulnerável? Recentemente o Presidente do CNPq era cadeirante. As pesquisadoras cadeirantes são invisíveis, mas elas existem.

Márcia B.: Certamente não exploramos todas as diversidades. Importante o ponto sobre os surdos e surdas que não foram atingidos pelo webinário. Vou levar o questionamento para a ABC.

Nadya G.: Cristina, com certeza: você acena para um aspecto que tem toda a pertinência e que temos deixado a descoberto. Tanto interessa criar condições para que essas pessoas com necessidades especiais tenham acesso aos Webinários, como avaliar como as mesmas se fazem representar ali onde se tomam decisões sobre a
crise, ou como a epidemia as alcança de forma particular e, nesse sentido, que ações poderiam ser especialmente dirigidas a esses grupos. Acho que vc agrega um ponto de muito valor no debate. Obrigada!