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Bye Bye Brasil: sem apoio financeiro, pesquisadores deixam o país

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Publicado em 26/01/2017


O quadro é visível em todo o país e mais grave no Estado do Rio de Janeiro e em São Paulo, onde os fundos de amparo à pesquisa têm seus orçamentos reduzidos. No Rio, a Fundação de Amparo à Pesquisa (FAPERJ) cortou fundos para mais de 3.600 projetos nos últimos dois anos. Só à Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), a fundação deve mais de US$ 20 milhões aos fundos de pesquisa.


Em São Paulo, a situação não é muito diferente. Lá, o orçamento da FAPESP, que tem direito a 1% das receitas fiscais do estado, foi reduzido para 0,89% este ano, o equivalente a um corte de US$ 35 milhões. Só no Estado do Rio, o governo deve quase R$ 500 milhões à UFRJ, UERJ e Universidade do Norte Fluminense, que ainda têm assegurado o fornecimento de água e energia elétrica graças a uma liminar obtida na Justiça.

O presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), Luiz Davidovich , diz que as universidades fluminense estão seriamente ameaçadas.

"Elas são um patrimônio do estado, elevaram a ciência do estado a um patamar reconhecido internacionalmente e que serve também à sociedade brasileira. Foi por causa desses financiamentos que temos equipes preparadas para enfrentar, por exemplo, a epidemia de Zica. Formaram-se doutores, novos pesquisadores que estão empenhados em pesquisas na área de saúde, energia, nas fronteiras do conhecimento e que judam a tornar a economia do estado mais sutentável", diz o presidente da ABC.

Davidovich chama a atenção para outro fato preocupante. Em 28 de dezembro do ano passado, o governo do estado promulgou um decreto que reduz os recursos da FAPERJ, definidos constitucionalmente como 2% da arrecadação estadual, a 1,4%, o equivalente a um corte de 30% no orçamento. Só de restos a pagar, segundo o presidente da ABC, a FAPERJ está com uma dívida de mais de R$ 400 milhões. São projetos aprovados no passado e que não têm recursos para serem financiados.

"É um quadro pouco alentador que está desmotivando jovens pesquisadores e destruindo a reputação de um estado que até pouco tempo atrás era considerado um exemplo para o país", diz Davidovich, que teme que o êxodo de pesquisadores do Brasil para outros países possa aumentar.

"Especialmente os jovens cientistas, que têm uma carreira pela frente. Muitas vezes estão aqui com a disposição de ajudar o país, mas tudo tem um limite. Eles não podem sacrificar suas carreiras em nome disso. Há um outro fator também. A finalização desse tratamento que a ciência e a tecnologia vêm recebendo de que elas não são importantes do ponto de vista dos governos desses estados. É uma sinalização muito ruim. Precisamos incentivar os jovens a entrar na carreira científica, na inovação tecnológica. Isso é muito importante não só para os estados como para o país como um todo. No mundo atual, conhecimento é poder.", afirma o presidente da ABC.

O dirigente afirma que boa parte da crise financeira do Estado do Rio de Janeiro se deve à elevada dependência da arrecadação do petróleo, commodity que têm suas cotações ditadas pelo mercado mundial. Para ele, é necessário que o Estado do Rio agregue valores a seus produtos e tenha alternativas de produção, investindo em pesquisa e desenvolvimento (P&D).

"Se olharmos países que estão atravessando também uma crise financeira, eles aproveitam a crise para aumentar os investimentos em P&D. Os Estados Unidos estão com 2,8% do PIB (Produto Interno Bruto) em P&D; a União Europeia tem um acordo para chegar a 2020 a 3%; a China está com mais de 2% agora e pretende chegar em 2020 com 2,5%; e o Brasil está próximo de 1%. Temos que pensar em construir uma estrada para o futuro para sair dessa crise de forma sustentável."

A Sputnik Brasil não conseguiu ouvir representantes da FAPERJ, que enviou a seguinte nota oficial:

"A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro, junto com o governo do estado, continua empenhada em financiar pesquisas e a manter os cientistas em território fluminense. Entretanto, em função da crise econômica, houve redução de repasse de recursos para a Fundação, que, diante do cenário, tem priorizado o pagamento de cerca de 5 mil bolsistas, uma vez que a maior parte das bolsas tem caráter de subsistência e pode ser utilizada para o pagamento de despesas pessoais. A Faperj destina um quarto do seu orçamento anual (o que equivale a R$ 100 milhões) ao pagamento das bolsas. Já as demais pesquisas - pouco mais de 3,5 mil projetos desenvolvidos em instituições de pesquisa e ensino sediadas no Estado do Rio de Janeiro - continuam aguardando o aumento da arrecadação para voltar a receber financiamento da Faperj.


(Sputnik Brasil, 25/01/2017)


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