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As máquinas podem tomar o lugar dos humanos um dia?

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Publicado em 19/05/2017



As máquinas vão tomar o lugar dos humanos algum dia? A literatura, o cinema e também a ciência vem se debruçando sobre este debate há alguns anos. O professor Moshe Vardi é um dos cientistas que se dedica ao estudo da tecnologia robótica e inteligência artificial e apresentou no dia 8 de maio, na Reunião Magna da ABC 2017, sua palestra intitulada "Humans, machines and work"


Moshe Vardi é professor de engenharia computacional da RiceUniversity, em Houston, no Texas, diretor do Ken Kennedy Institute for Information Technology e editor chefe da principal publicação da Associationfor Computing Machinery (ACM). Embora muito procurado para tratar das questões problemáticas que envolvem o desenvolvimento tecnológico, Vardi esclarece que não vê as máquinas como inimigas da humanidade. "Assim como todas as descobertas e inovações tecnológicas da história, a inteligência artificial tem muitos pontos positivos." Ele lembra que 90% das falhas e acidentes com carros são causados por erros humanos. "Os carros automáticos resolveram esse problema. Mas, ao mesmo tempo, tiraram o emprego de milhões de motoristas", pondera ele.

É o aspecto econômico do advento tecnológico que Vardi foca em suas palestras. Mostrando dados, ele traça um paralelo entre a taxa da população economicamente ativa para homens de 25 a 54 anos nos EUA e o crescimento da economia e da inovação no país. A relação entre os dois é inversamente proporcional. Quanto mais o avanço de tecnologias de inovação impulsiona a economia, menores são os números de homens em atividade. Curiosamente, mais duas variáveis estão diretamente conectadas a esses números: a mortalidade da população branca estadunidense e o fim dos casamentos. Numa conta simples entendemos que o largo número de demissões desencadeia casos de depressão, suicídio, uso de drogas e álcool e consequências graves na estabilidade familiar. (Confira nos slides 60 a 64 e 66 os gráficos correspondentes a estes dados).

Vardi esclarece que a curva de desemprego atinge áreas específicas. As funções mais impactadas são as chamadas "funções de rotina" que abrangem atividades "mecânicas", que podem ser substituídas por uma tecnologia programada. Dessa forma, empregos medianos (por mediano entende-se uma exigência média de graduação e consequente remuneração média) são os mais afetados pela automação. "A tecnologia ainda não descobriu uma forma de um robô levar o pedido de um cliente à mesa em um restaurante, mas há como se operar uma máquina fabril por computador. Logo o funcionário que exerce essa função será cortado." A lógica, explica o professor, é simples: "Se o trabalho pode ser feito por uma máquina e isso tornará o negócio mais barato, o funcionário será substituído."

Empregos que exigem uma alta especialização ou que não exigem um grande nível de estudo são os que, em geral, são menos afetados. No entanto, Vardi, explica, o quanto maior for o nível de graduação, maior será a facilidade da pessoa em se adaptar a uma outra área que não a sua de origem, em caso de desemprego.

Entender quais áreas são, de fato, substituíveis por máquinas, no entanto, não é uma tarefa tão simples. Vardi levanta, além deste, três outros tópicos que merecem debate sobre a interferência da inteligência artificial na vida humana: o uso do chamado Sistema de Armas Letais Autônomas (LAWS, na siga em inglês), o uso de logaritmos para tomada de decisões legais e a inteligência artificial que foge do controle humano.

Para ele, o uso de drones militares para atingir grandes áreas com armas de destruição é um grande passo na atividade tecnológica. "Mas pode ser perigoso, uma vez que tira a presença humana direta dessa atividade e banaliza a ação", aponta Vardi. Acontece algo similar com o uso de algoritmos para definir se suspeitos de crimes são de fato culpados, uma vez que esse sistema não mostra os critérios utilizados para decisão. Esses desdobramentos da tecnologia são imediatos e precisam de debate agora, o que não acontece com a hipótese de a inteligência artificial dominar seus criadores. "Essa hipótese é muito usada na mídia de forma sensacionalista, mas é um debate que está distante, no campo da ficção científica. Temos preocupações muito mais imediatas sobre a tecnologia, que já estão nos afetando agora", argumenta.

O pesquisador lembra que, ao longo de toda a história da inovação tecnológica, a preocupação com a perda de espaço de pessoas para máquinas no mercado tem sido deixada de lado sob o argumento de que as tecnologias criam novos cargos ao mesmo tempo que os tiram. "A cada novo avanço tecnológico cientistas econômicos se escoram na crença de que desta vez não será diferente e nos adaptaremos. Chegará um momento em que será, sim, diferente. E acredito que estamos vivendo isso agora."

Veja aqui a apresentação em pdf do professor Moshe Vardi.


(Thaís Soares para NABC)


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