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Acadêmicos na Marcha Mundial pela Ciência

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Publicado em 27/04/2017

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A Marcha pela Ciência no Brasil foi parte do movimento em defesa da ciência, tecnologia e educação de qualidade no país. A ideia dos organizadores do evento local, capitaneado pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), é manter a mobilização conquistada e ampliá-la junto à comunidade científica e acadêmica, aos jovens e à sociedade em geral.

O histórico da marcha, nascida nos EUA em reação à atitude anticientífica do presidente Trump, pode ser conhecido na matéria de Herton Escobar para o jornal O Estado de S.Paulo intitulada "Cientistas vão às ruas contra corte em investimentos".

Veja os mapas das cidades engajadas no Brasil e no mundo, em matéria de Mauricio Tuffani.

A ABC solicitou aos seus membros que enviassem fotos e depoimentos sobre o evento. Leia o que disseram Acadêmicos que participaram das marchas em suas cidades ou em outras cidades ao redor do mundo.


Adalberto Val 
Membro Titular, Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (INPA)

O movimento em Manaus foi emblemático. Estudantes de pós-graduação, professores e pesquisadores manifestaram suas preocupações com o futuro da Ciência e da Educação na Amazônia e no Brasil. As conquistas da Ciência foram ressaltadas e as ameaças correntes, evidenciadas. O constrangimento atual tem forte impacto no presente, mas terá impacto ainda maior no futuro. Não haverá paz sem Ciência e sem Educação.

Adalberto Vieyra
Membro Titular, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Juntando nossas vozes. Para que elas se tornem um trovão. Pela Ciência como instrumento de Soberania Nacional. Para que esse trovão se acompanhe de um raio que fulmine aqueles que tentam destruir nosso futuro como Nação.


Alberto Passos Guimarães (à direita na foto)
Membro Titular, Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF)

Professores, pesquisadores e alunos de pós-graduação: temos que enfatizar, em todas as oportunidades, o importante papel que a Ciência e a Tecnologia desempenham para o progresso e a soberania do país. Abaixo os cortes dos recursos para C&T!

Gustavo Tamm Moreira (à esquerda na foto)
Membro Titular, Instituto nacional de Matemática Pura e Aplicada (Impa, RJ)

A Marcha pela Ciência reuniu centenas de cientistas, estudantes e trabalhadores de instituições científicas que enfrentaram a chuva para lutar contra os repetidos cortes nos orçamentos da Ciência e Tecnologia brasileiras e contra a retirada de direitos dos trabalhadores. Muitos manifestantes formaram uma "orquestra" de tesouras, criticando os cortes e seus responsáveis.

Alexander Kellner 
Membro Titular, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Participei da Marcha pela Ciência em Porto Alegre e considerei bastante emblemático. É fundamental cientistas irem a público demonstrar a importância da pesquisa no cotidiano das pessoas, desde a questões de alimentos até o desenvolvimento de remédios e curas para epidemias, passando pelo aperfeiçoamento de equipamentos eletrônicos como os celulares, que, sem pesquisa, seriam restritos a uma elite e jamais fariam parte do cotidiano das pessoas. Sem ciência, não há desenvolvimento, não há independência de um país, não há bem estar. Isso tem que ser passado para a população, particularmente nesses "novos tempos", que tem maltratado universidades e outras instituições de pesquisa Brasil afora.

André Báfica
Membro Afiliado (2013-2017), Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

Participei da Science March em Nova Iorque. Um dia nublado, 10ºC e um chuvisco gelado caia em cima dos cartazes. Mesmo assim, a turma daqui não desanimou. Levei um cartaz "Resist Science", grafitado pelo amigo Bernardo Reis, da Rockefeller University e, em conjunto com 20 mil pessoas, caminhamos pela Central Park West Avenue e Broadway Avenue. Observei muitos cartazes com um retrato do momento histórico que estamos vivendo no mundo e os cientistas daqui também fizeram a sua parte. ’Science, not silence!’

Artur Ziviani 
Membro Afiliado (2013-2017), Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), Petrópolis, RJ

Para almejar o desenvolvimento do país é incontornável o investimento em ciência. Temos que nos mobilizar para que aumente na sociedade a valorização e impacto das ciências na construção de nosso futuro


Antonio Gomes de Souza Filho  (centro-esquerda, com cartaz)
Membro Afiliado (2011-2015), Universidade Federal do Ceará (UFC)

A ciência nos coloca em outro patamar intelectual, na medida em que nos traz maior entendimento do universo e da vida, passando pelas tecnologias que nos livram de doenças e as que garantem alta produtividade de alimentos, fundamental para os bilhões de pessoas no planeta. A Marcha pela Ciência no Brasil, com baixa participação da população, deixa o alerta de que nós, cientistas brasileiros, precisamos trabalhar para levar à sociedade a consciência dos ganhos reais que a ciência produz para o país e seu legado para as futuras gerações.

Bruno Rocha (de camisa vermelha e preta)
Membro Afiliado (2015-2019), Universidade Federal do Ceará (UFC)

Na Marcha pela Ciência em Fortaleza que ocorreu no sábado na Bienal do Livro em Fortaleza teve grito de Fora Temer e tudo! Mas, vale lembrar que dia 28 tem Greve Geral e seria ótimo que os professores-pesquisadores fossem as ruas pela ciência e tecnologia, pela educação e universidade pública e contra o crime intitulado de "Reforma da Previdência".

Carlos Menck
Membro Titular, Universidade de São Paulo (USP)

Apesar da chuva, a Marcha pela Ciência serviu para demonstrar que existe ciência no Brasil, com defesa da qualidade do que fazemos, da ciência básica e de nossas instituições, que devem ser preservadas e fortalecidas. E tudo para ajudar o país a ter um futuro, com mais justiça social.

Dario Zamboni
Membro Afiliado (2011-2016), Universidade de São Paulo (USP-Ribeirão Preto)

Participei da Marcha em Brasília. Tirar cientista do laboratório não é tarefa fácil, ainda assim havia mais de 200. Muitas crianças, levadas pelos pais, representavam o desejo de um pais melhor, que só vai ser possível com ciência e tecnologia. Caminhamos pelo Eixo Monumental, com pausa em frente ao MCTIC para cantar o Hino Nacional e seguimos até o gramado do Congresso Nacional. Ao fim da Marcha, os balões distribuídos foram soltos de forma orquestrada, salpicando o céu azul de balões coloridos. Espero que funcionem como sementes para expandir esse movimento tão genuíno.


Débora Foguel 
Membro do Comitê Executivo da ABC, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Eventos como este têm uma enorme importância, já que despertam a atenção da sociedade para a ciência. É importante que chamem, em especial, a atenção de alguns governantes que desacreditam das evidências científicas, como o aquecimento do planeta e, em função disso, tomam medidas deletérias e equivocadas, ou governantes que sequer acreditam no impacto que a ciência e a pesquisa podem ter para o desenvolvimento de suas nações e fazem cortes drásticos no orçamento em momentos de crise. Lamento muito que o Brasil seja um exemplo para o segundo caso. Marchemos sempre pela ciência!

Jerson Lima (à direita na foto)
Membro Titular, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

A Marcha pela Ciência que ocorreu em todo o mundo é muito importante para reafirmar o seu valor para o desenvolvimento sustentável do planeta. A importância da ciência é ainda maior para o Brasil, que enfrenta uma grande crise econômica e social e que só conseguirá superá-la se investir em ciência e tecnologia.

Edmo Campos 
Membro Titular, Universidade de São Paulo (USP)

Participei da Marcha Para a Ciência em Miami, onde estou envolvido num projeto de pesquisa em cooperação com cientistas da Universidade de Miami e da National Oceanographic and Meteorological Administration (NOAA), juntamente com colegas norte-americanos. A manifestação estendeu-se por mais de cinco horas, com expressiva participação de uma grande variedade de representantes da sociedade, incluindo turistas de várias nacionalidades.

Eliane Volchan 
Membro Titular, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

A Marcha pela Ciência é um marco de um movimento novo, internacional, de interlocução com a sociedade pela importância do apoio à ciência como pilar do desenvolvimento e bem-estar dos povos. Na foto, estou acompanhada das neurocientistas da Universidade Federal Fluminense (UFF) Leticia de Oliveira e Mirtes Pereira, que contribuíram muito para este evento.

Emiliano Medei
Membro Afiliado (2011-2016), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

A ciência brasileira e mundial está sendo ameaçada. Precisamos que, além dos cientistas, o resto da população se mobilize e entenda o valor da Ciência para uma Nação. E temos que agir nesse sentido.

Etelvino Bechara
Membro Titular, Universidade de São Paulo (USP)

Estive na Marcha em São Paulo, que espero ter despertado uma atenção maior da comunidade científica para a divulgação da ciência. Acho que deveríamos fazer um movimento para ocupar as praças das cidades brasileiras frequentemente com exposições, experimentos, cartazes e palestras, sempre em busca de uma interação e cumplicidade com a população na defesa do conhecimento. Sempre me lembro da experiência fantástica da UFMG, com seus laboratórios de ciência circulando em ônibus pelas cidades brasileiras.

Glaucius Oliva  (no centro, de camisa azul clara)
Membro Titular, Universidade de São Paulo (USP São Carlos)

A Marcha pela Ciência representa um ponto de virada para a comunicação científica no mundo. Não basta mais fazermos ciência de qualidade e acreditar que os fatos falem por si. Temos que sair da zona de conforto dos laboratórios e nos comunicarmos diretamente com a sociedade, nas ruas, escolas, organizações não-governamentais, sindicatos, imprensa, TV, rádios, associações comunitárias. É fundamental que os cientistas brasileiros compreendam que somente alcançaremos maior presença do Brasil na ciência se conquistarmos maior presença da ciência no Brasil.

Helena Nader 
Membro Titular, Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e presidente da SBPC

Chega de classificar os cientistas e a ciência como gasto! Nós somos investimento, é isso que nós somos. Para cada 100 reais que o governo gasta com a Presidência e os ministérios, 32 centavos vão para ciência. Onde a gente fica, então, na sociedade do conhecimento? A nossa economia sobrevive por causa da ciência. A Embrapa, cujas pesquisas ajudaram a aumentar a produtividade agrícola, e a Petrobras, que desenvolveu tecnologia de extração de petróleo em águas profundas, não contrataram extraterrestres para isso. Foi a ciência que alcançou esses resultados, e ciência totalmente desenvolvida neste país.

Hernan Chaimovich
Membro Titular, Universidade de São Paulo (USP)

Em meu discurso no evento destaquei a importância da ciência e dos cientistas ocuparem pela primeira vez, esse espaço público reivindicando não corporativamente, para si, mas para o país. A natureza internacional da Marcha reflete o caráter universal da própria ciência. É necessário que cada um dos participantes se transforme num amplificador desta nova relação com a sociedade.

Igor Kaefer
Membro Afiliado (2015-2019), Universidade Federal do Amazonas (UFAM)

Não vejo causa mais digna de promoção do que a ciência. Lutar pela ciência é lutar por nós mesmos e também pelos outros. Me orgulha profundamente bradar por uma sociedade livre do obscurantismo, da ignorância e aberta ao conhecimento científico. É dessa sociedade que emergirão lideranças políticas preocupadas com o verdadeiro desenvolvimento democrático, que é aquele pautado pelo conhecimento que produzimos.

Isaac Roitman 
Membro Titular, Universidade de Brasília (UnB)

Lembro a frase de Oswaldo Cruz, que é o lema da Sociedade Brasileira de Microbiologia: "Não esmorecer para não desmerecer".

Jefferson Cardia Simões  (à esquerda na foto)
Membro Titular, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

Cito Isaac Asimov, que disse: "Anti-intelectualismo tem sido uma ameaça constante, fazendo seu caminho sinuoso através da nossa vida política e cultural e alimentada pela falsa noção de que democracia significa que a minha ignorância é tão boa quanto o seu conhecimento".

Jorge Guimarães (o quinto, da esquerda para a direita)
Membro Titular, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), presidente da Embrapii

A Marcha aqui em Porto Alegre foi simples, mas com boa participação, considerando ter sido num sábado de feriado prolongado. O efeito foi simbólico, mas significativo!

José Alexandre Felizola Diniz Filho
Membro Titular, Universidade Federal de Goiás (UFG)

Em Goiânia, a Marcha foi pequena. Em minha fala no final do evento, ressaltei que precisamos melhorar a nossa capacidade de educação científica e comunicação com a sociedade. Esta precisa estar aberta e sensibilizada para entender que os avanços na tecnologia que são amplamente difundidos no dia a dia são, de fato, produtos da ciência. As pessoas acham que tecnologia é uma coisa e a ciência é outra. Precisamos retomar esse caminho do esclarecimento e mostrar que, sem ciência e educação, não é possível pensar em desenvolvimento social.

José Galizia Tundisi 
Membro Titular, USP São Carlos, Secretário Municipal de Desenvolvimento Sustentável, Ciência e Tecnologia

Sem a ciência que se desenvolveu no século 20, o mundo civilizado não teria tantos avanços em saúde, engenharia, transportes e comunicações. Ciência gera emprego, trabalho e renda. Continuo trabalhando em prol de ampliar a capacidade local de divulgar a ciência, desenvolver a educação em ciência nas escolas e dinamizar a informação científica.

Leonardo Avilla
Membro Afiliado (2014-2018), Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio)

Mesmo debaixo de chuva, professores, alunos... todos que acreditam que a ciência é investimento e não um gasto se reuniram em prol do Brasil!

Lis Antonelli
Membro Afiliado (2014-2018), Centro de Pesquisa René Rachou (Fiocruz, MG)

Levei meus filhos Francisco e João (foto ao lado) à nossa Marcha, que teve a intenção de alertar a sociedade que avançando na ciência, avançamos no desenvolvimento do nosso país e, consequentemente, na nossa independência.

Luiz Eugenio Mello
Membro Titular, Instituto Vale de Tecnologia, Pará

Estive na marcha em São Paulo. O engajamento do Brasil neste evento mundial ocorre em um momento de crise da ciência no pais. A Marcha pela Ciência, neste sentido é emblemática e simboliza a crença de que não há futuro sem educação e sem ciência. Economizar e acertar as contas é fundamental para o pais voltar a crescer. Não faz sentido economizar ficando sem comer e no fim morrendo de inanição. Tampouco faz sentido economizar ficando sem ciência e consequentemente voltarmos a posição de colônia.

Marcia Barbosa
Diretora da ABC, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

A Marcha em Porto Alegre foi um momento de flerte da ciência e dos cientistas com a população de Porto Alegre. Tenho certeza de que este namoro vira um casamento entre quem financia a ciência e quem a faz e usufrui dos resultados dela. E deste casamento sairá um movimento ainda maior, que irá garantir a reconstituição do MCTI e do orçamento para a área. Marchamos porque povo sem ciência e tecnologia morre de epidemia.

Otávio Velho (de colete cáqui)
Membro Titular, Museu Nacional, RJ

Participar de um movimento com a abrangência internacional desta Marcha reafirma a universalidade da ciência, sua afinidade com os valores democráticos, o humanismo e o destino de todos os seres. Nós, cientistas, precisamos nos aproximar cada vez mais da sociedade. Como antropólogo, fiquei feliz com a lembrança da solidariedade com os nossos índios, a quem tanto devemos e que tanto têm sido injustiçados. E como pesquisador que trabalhou a vida inteira no Museu Nacional, fiquei agradecido pela escolha do local para a manifestação, diante dessa instituição histórica tão necessitada de uma mobilização social ampla em sua defesa. A batalha contra os preconceitos e as disparidades socioeconômicas que prejudicam o próprio desenvolvimento da ciência deve ser permanente.



(Elisa Oswaldo-Cruz para NABC)


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