Saudação aos Acadêmicos, pelo Acadêmico Wanderley de Souza

Discurso de saudação aos novos membros da Academia Brasileira de Ciências
3 de maio de 2011

Professor Jacob Palis, Presidente da ABC, em nome de quem saúdo todos os membros da mesa,
Colegas membros da ABC, Uma saudação especial aos novos membros que acabaram de tomar posse,
Senhores e Senhoras

Na história das academias, o dia de posse de seus membros titulares é sempre muito especial. A academia se renova, incorporando colegas que se destacaram nas mais diferentes áreas nos últimos anos. Tornando-se permanentemente mais jovem ela assegura sua posição de vanguarda e ao mesmo tempo a sua perenidade.

Prezados colegas, bem vindos a esta quase centenária casa que aperfeiçoa a cada ano os mecanismos de reconhecimento da excelência acadêmica e que espera de todos os membros uma participação ativa nas suas atividades.

Cabe esclarecer que esta casa vem participando de forma crescente na elaboração de propostas concretas a diferentes órgãos governamentais e em temas variados, como o ensino superior, a melhoria do ensino básico, os estudos de doenças negligenciadas, programas de cooperação internacional, entre outros. Ainda durante esta conferência magna a academia foi convocada pelo secretário de estado de ciência e tecnologia do estado do rio de janeiro, Deputado Alexandre Cardoso, e pelos ministros Fernando Haddad e Aloísio Mercadante a atuar em novas áreas.

Certamente é a ABC a entidade melhor credenciada para a realização de diagnósticos e estudos prospectivos nas mais variadas áreas da ciência. Tem como grande vantagem contar com membros de elevada competência e reconhecimento internacional e defender teses gerais, sem levar em consideração interesses de pequenos grupos. Sua atuação foi importante para a criação do CNPq, da FINEP, da CAPES, da CNEN e do MCT.

Os membros da ABC têm participado de forma expressiva da direção das instituições acima mencionadas. Todas estas vem sendo dirigidas com competência e dedicação e são responsáveis pelos avanços significativos da ciência brasileira, sobretudo nos últimos anos. Estamos conscientes do papel importante representado pela ciência brasileira no cenário internacional. Afinal estamos entre os treze principais produtores de conhecimento científico. Nosso crescimento é significativo e certamente estamos preparados e nos esforçando para ocupar melhores posições nos próximos anos. Para que tal aconteça, é fundamental que as atividades científicas e acadêmicas mantenham o ritmo de crescimento dos últimos anos.

As informações disponíveis sobre o orçamento da capes para o corrente ano são alvissareiras e confirmam o crescimento do processo de formação de recursos humanos. As fundações estaduais de apoio à pesquisa vêm aumentando o volume de recursos disponíveis. Quanto ao orçamento do MCT, as informações disponíveis deixaram a comunidade científica perplexa e preocupada. Depois de oito anos de notícias otimistas, os temidos termos "corte de orçamento e/ou contingenciamento" retornam no congresso nacional. Em sua conferência de hoje o ministro Aloísio Mercadante comentou a possibilidade de perda de recursos do fundo setorial do petróleo com a lei sobre estema em discussão no congresso nacional.

Manifestamos aqui nossa total solidariedade aos colegas do MCT no sentido de trabalharmos juntos para recuperação orçamentária, sem o que o desenvolvimento científico brasileiro sofrerá.

A ABC, sempre em articulação com a SBPC e sociedades científicas, tem experiência no campo da negociação com o governo e certamente já atuou com êxito em momentos mais difíceis.

Senhoras e senhores acadêmicos. Se o desenvolvimento científico brasileiro marcha em ritmo célere, o mesmo não ocorre com a nossa capacidade de transformar conhecimento em bens e serviços que gerem emprego e renda. Estamos engatinhando no campo da inovação.

De maneira correta todos defendem a necessidade de aumentar o apoio à inovação tecnológica. Neste campo, no entanto, há que se ter cuidados. Recursos para esta área devem ser crescentes e novos, sem competir com o investimento que se faz na pesquisa básica.

É preciso estar sempre atento para o fato de que não é a universidade ou os institutos de pesquisa o locus preferencial para que o processo de inovação ocorra. Estimular estas instituições a terem participação crescente na área da inovação é uma aposta segura para o declínio da atividade científica no país. Por outro lado, institutos de vocação tecnológica poderão desempenhar papel relevante e atuarem junto ao setor produtivo. Cito como exemplo de sucesso recente o INMETRO que vem investindo na incorporação aos seus quadros de dezenas de novos doutores e de membros desta academia estabelecendo, como instituição vinculada ao ministério do desenvolvimento econômico e comércio exterior, pontes sólidas do setor acadêmico com o setor produtivo.

É preciso estimular o setor produtivo brasileiro a participar do processo de inovação de forma muito mais ativa. Aqui não basta apenas disponibilizar mais recursos para as empresas, mas utilizar cada vez mais o poder de compra do estado.

Por fim quero desejar aos novos colegas acadêmicos que se incorporem rapidamente às várias atividades da nossa academia dando contribuições importantes e compatíveis com a excelência acadêmica nesta noite reconhecida formalmente.

Muito obrigado!!




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