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Mudanças Climáticas, Adaptação e Mitigação

Apresentação

Introdução
Nosso planeta tem uma série de sistemas complexos e dinâmicos, que governam sua evolução no passado, seu estado atual e suas condições futuras para todos os seus habitantes. A ação do homem está alterando profundamente vários aspectos do funcionamento fundamental de nosso planeta, incluindo o balanço de radiação, albedo terrestre, disponibilidade hídrica, biodiversidade e a composição da atmosfera. O entendimento do complexo sistema climático terrestre em todas suas componentes inclusive a socioeconômica é um enorme desafio científico para o país. Temos necessidade urgente de formular políticas públicas baseadas em ciência em questões como a disponibilidade de água, o entendimento de processos críticos para o funcionamento dos ecossistemas, a necessidade premente de adaptação às mudanças climáticas e na mitigação de emissões de gases de efeito estufa. A formulação de políticas públicas coerentes e eficientes depende de ciência de alta qualidade nestas áreas.

Perspectivas na área de Mudanças Climáticas Globais
O Brasil tem um forte papel de liderança na pesquisa em mudanças climáticas globais. Temos notável competência em temas relacionados com a medida e modelagem dos processos de interação biosfera/atmosfera, particularmente com relação à floresta amazônica, cerrado e caatinga. Como estes sistemas naturais respondem à variabilidade climática natural e o potencial impacto do aquecimento global constituem áreas de pesquisa altamente relevantes. Dependendo de cenários futuros de emissões, podemos ter no país um aquecimento de 3 a 4 graus em algumas décadas. Os impactos socioeconômicos e no funcionamento dos ecossistemas será grande. A adaptação a este novo estado climático constitui-se em um enorme desafio em áreas costeiras, na agricultura, em centros urbanos e na disponibilidade de água.

Nosso país tem alguns aspectos únicos: uma vasta região tropical/subtropical com agricultura altamente produtiva. Ou seja, temos uma enorme área que foi transformada de cerrado/floresta/caatinga para diferentes tipos de agricultura/pecuária, o que modifica substancialmente o balanço de energia na superfície com fortes consequências para o clima regional e global. Impactos relevantes também são detectados na biodiversidade no solo e na superfície. Precisamos implementar programas de pesquisa multidisciplinares que enfoquem a questão do impacto da agricultura/pecuária no meio ambiente regional e global, e como a produção agrícola vai ser afetada pelas mudanças climáticas.

Importantes estudos das mudanças climáticas na Amazônia envolvendo alterações no uso do solo com impactos climáticos regionais e globais foram realizados. A redução da taxa de desmatamento anual de 27.000 Km² em 2005 para 5.000 Km² em 2011-2015 foi um dos grandes destaques nas mudanças climáticas globais, mas como reduzir ou zerar o desmatamento da floresta continua um desafio. De 2011 a 2015 a taxa de desmatamento ficou ao redor de 5.000 Km², o que indica o esgotamento das políticas de redução do desflorestamento na Amazônia. Em 2016 o desmatamento subiu para 7.900 Km² por ano, o que compromete as metas brasileiras de redução de emissões. Novas políticas terão que ser implantadas com bases científicas para reduzirmos o desmatamento na Amazônia. Outros biomas, como o Cerrado e o Pantanal também estão sendo alterados significativamente, sem que tenhamos conhecimento dos impactos das alterações no uso do solo.

A mitigação de emissões e a adaptação às mudanças climáticas é uma tarefa urgente de nossa sociedade global, e a adaptação em geral, vai requerer soluções locais ou regionais. O atual aumento observado de temperatura e alterações no padrão de precipitação estão tendo forte impacto sobre os ecossistemas brasileiros e sobre nosso sistema socioeconômico, tais como a produção agrícola, geração de energia e disponibilidade de água em áreas urbanas e no Nordeste brasileiro. Precisamos de ciência sólida para auxiliar na implementação da NDC (National Determined Contribution) brasileira, o que envolve a redução do desmatamento na Amazônia, o reflorestamento comprometido na NDC, e forte implementação de projetos de energia eólica e solar. São mudanças importantes e requeridas para que o Brasil reduza suas emissões de gases de efeito estufa nos níveis comprometidos no Acordo de Paris através da NDC brasileira, que se compromete com uma redução de 43% das emissões brasileiras em 2030 comparado com 2005. Também prometemos alcançar 45% de energias renováveis (incluindo hidrelétrica), zerar o desmatamento ilegal em quinze anos e restaurar 12 milhões de hectares de florestas. Todas tarefas difíceis de serem executadas e que exigirão ciência sólida.

É essencial que o país implante redes nacionais de observações das mudanças climáticas, para fornecer instrumentos de diagnósticos para o acompanhamento e implantação de políticas públicas ambientais efetivas. Regiões como a Amazônia são estratégicas para isso, e não temos observações suficientes para monitorar os processos que já estão sendo alterados no ecossistema. O mesmo acontece para o Pantanal, Cerrado, Caatinga e demais biomas brasileiros. Em particular o ciclo de carbono e ciclo da água estão sendo alterados nos biomas brasileiros sem uma quantificação adequada destas alterações e seus efeitos nos ecossistemas, na biodiversidade e no clima regional e global.

Os relatórios do IPCC e do PBMC (Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas) publicados recentemente apontam para um cenário climático futuro no Brasil, onde os extremos de tempo e clima serão mais frequentes e intensos, afetando sistemas humanos e naturais no pais. Na última década, extremos climáticos de grande magnitude como as secas na Amazônia em 2005, 2010 e 2016, enchentes na mesma região em 2009, 2012 e 2014, a seca plurianual no Nordeste que começou em 2011 e ainda continua em 2016, a seca do Sudeste do Brasil em 2014-15, são exemplos claros de que o Brasil é vulnerável aos extremos de clima no presente, e que a adaptação climática ainda não tem sido adequada para garantir a resiliência dos sistemas humanos e naturais às variações do clima. É fundamental intensificar estudos de impactos das mudanças de clima em vários setores estratégicos, avaliando os impactos na segurança hídrica, alimentar, energética, na saúde, na economia, na biodiversidade e na ocorrência de desastres naturais. O Brasil não possui estudos sólidos da vulnerabilidade de áreas urbanas e cidades costeiras frente aos impactos decorrentes das mudanças climáticas, considerando extremos de chuva, elevação do nível do mar e desastres naturais como enchentes, secas e deslizamentos de terra. Estudos de vulnerabilidade e identificação de riscos que buscam compreender e apontar como as mudanças climáticas irão afetar tanto a questão física como econômica e social no Brasil são essenciais para o país.

Nossa matriz energética terá que mudar, englobando uma forte participação de energia solar e eólica. Será necessário redesenhar o sistema atual, fortemente baseado em geração centralizada em grandes usinas, para um sistema descentralizado com armazenamento de energia de forma eficiente. Esta alteração no perfil de geração de eletricidade terá que ser incorporada em nova política industrial, com o deslocamento de geração e uso de energia no território nacional. Nosso sistema de transporte, baseado exclusivamente em combustíveis fósseis, e no transporte individual terá que mudar, e pesquisas nas áreas de mobilidade urbana e logística industrial são fundamentais para isso.

Saber comunicar para a população e para os tomadores de decisão é tarefa essencial da ciência de hoje. A participação de especialistas em educação ambienta e comunicação poderá ajudar a melhorar a comunicação entre os cientistas, a população e os tomadores de decisões nos vários níveis de governo.

Introdução
Nosso planeta tem uma série de sistemas complexos e dinâmicos, que governam sua evolução no passado, seu estado atual e suas condições futuras para todos os seus habitantes. A ação do homem está alterando profundamente vários aspectos do funcionamento fundamental de nosso planeta, incluindo o balanço de radiação, albedo terrestre, disponibilidade hídrica, biodiversidade e a composição da atmosfera. O entendimento do complexo sistema climático terrestre em todas suas componentes inclusive a socioeconômica é um enorme desafio científico para o país. Temos necessidade urgente de formular políticas públicas baseadas em ciência em questões como a disponibilidade de água, o entendimento de processos críticos para o funcionamento dos ecossistemas, a necessidade premente de adaptação às mudanças climáticas e na mitigação de emissões de gases de efeito estufa. A formulação de políticas públicas coerentes e eficientes depende de ciência de alta qualidade nestas áreas.

Perspectivas na área de Mudanças Climáticas Globais
O Brasil tem um forte papel de liderança na pesquisa em mudanças climáticas globais. Temos notável competência em temas relacionados com a medida e modelagem dos processos de interação biosfera/atmosfera, particularmente com relação à floresta amazônica, cerrado e caatinga. Como estes sistemas naturais respondem à variabilidade climática natural e o potencial impacto do aquecimento global constituem áreas de pesquisa altamente relevantes. Dependendo de cenários futuros de emissões, podemos ter no país um aquecimento de 3 a 4 graus em algumas décadas. Os impactos socioeconômicos e no funcionamento dos ecossistemas será grande. A adaptação a este novo estado climático constitui-se em um enorme desafio em áreas costeiras, na agricultura, em centros urbanos e na disponibilidade de água.

Nosso país tem alguns aspectos únicos: uma vasta região tropical/subtropical com agricultura altamente produtiva. Ou seja, temos uma enorme área que foi transformada de cerrado/floresta/caatinga para diferentes tipos de agricultura/pecuária, o que modifica substancialmente o balanço de energia na superfície com fortes consequências para o clima regional e global. Impactos relevantes também são detectados na biodiversidade no solo e na superfície. Precisamos implementar programas de pesquisa multidisciplinares que enfoquem a questão do impacto da agricultura/pecuária no meio ambiente regional e global, e como a produção agrícola vai ser afetada pelas mudanças climáticas.

Importantes estudos das mudanças climáticas na Amazônia envolvendo alterações no uso do solo com impactos climáticos regionais e globais foram realizados. A redução da taxa de desmatamento anual de 27.000 Km² em 2005 para 5.000 Km² em 2011-2015 foi um dos grandes destaques nas mudanças climáticas globais, mas como reduzir ou zerar o desmatamento da floresta continua um desafio. De 2011 a 2015 a taxa de desmatamento ficou ao redor de 5.000 Km², o que indica o esgotamento das políticas de redução do desflorestamento na Amazônia. Em 2016 o desmatamento subiu para 7.900 Km² por ano, o que compromete as metas brasileiras de redução de emissões. Novas políticas terão que ser implantadas com bases científicas para reduzirmos o desmatamento na Amazônia. Outros biomas, como o Cerrado e o Pantanal também estão sendo alterados significativamente, sem que tenhamos conhecimento dos impactos das alterações no uso do solo.

A mitigação de emissões e a adaptação às mudanças climáticas é uma tarefa urgente de nossa sociedade global, e a adaptação em geral, vai requerer soluções locais ou regionais. O atual aumento observado de temperatura e alterações no padrão de precipitação estão tendo forte impacto sobre os ecossistemas brasileiros e sobre nosso sistema socioeconômico, tais como a produção agrícola, geração de energia e disponibilidade de água em áreas urbanas e no Nordeste brasileiro. Precisamos de ciência sólida para auxiliar na implementação da NDC (National Determined Contribution) brasileira, o que envolve a redução do desmatamento na Amazônia, o reflorestamento comprometido na NDC, e forte implementação de projetos de energia eólica e solar. São mudanças importantes e requeridas para que o Brasil reduza suas emissões de gases de efeito estufa nos níveis comprometidos no Acordo de Paris através da NDC brasileira, que se compromete com uma redução de 43% das emissões brasileiras em 2030 comparado com 2005. Também prometemos alcançar 45% de energias renováveis (incluindo hidrelétrica), zerar o desmatamento ilegal em quinze anos e restaurar 12 milhões de hectares de florestas. Todas tarefas difíceis de serem executadas e que exigirão ciência sólida.

É essencial que o país implante redes nacionais de observações das mudanças climáticas, para fornecer instrumentos de diagnósticos para o acompanhamento e implantação de políticas públicas ambientais efetivas. Regiões como a Amazônia são estratégicas para isso, e não temos observações suficientes para monitorar os processos que já estão sendo alterados no ecossistema. O mesmo acontece para o Pantanal, Cerrado, Caatinga e demais biomas brasileiros. Em particular o ciclo de carbono e ciclo da água estão sendo alterados nos biomas brasileiros sem uma quantificação adequada destas alterações e seus efeitos nos ecossistemas, na biodiversidade e no clima regional e global.

Os relatórios do IPCC e do PBMC (Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas) publicados recentemente apontam para um cenário climático futuro no Brasil, onde os extremos de tempo e clima serão mais frequentes e intensos, afetando sistemas humanos e naturais no pais. Na última década, extremos climáticos de grande magnitude como as secas na Amazônia em 2005, 2010 e 2016, enchentes na mesma região em 2009, 2012 e 2014, a seca plurianual no Nordeste que começou em 2011 e ainda continua em 2016, a seca do Sudeste do Brasil em 2014-15, são exemplos claros de que o Brasil é vulnerável aos extremos de clima no presente, e que a adaptação climática ainda não tem sido adequada para garantir a resiliência dos sistemas humanos e naturais às variações do clima. É fundamental intensificar estudos de impactos das mudanças de clima em vários setores estratégicos, avaliando os impactos na segurança hídrica, alimentar, energética, na saúde, na economia, na biodiversidade e na ocorrência de desastres naturais. O Brasil não possui estudos sólidos da vulnerabilidade de áreas urbanas e cidades costeiras frente aos impactos decorrentes das mudanças climáticas, considerando extremos de chuva, elevação do nível do mar e desastres naturais como enchentes, secas e deslizamentos de terra. Estudos de vulnerabilidade e identificação de riscos que buscam compreender e apontar como as mudanças climáticas irão afetar tanto a questão física como econômica e social no Brasil são essenciais para o país.

Nossa matriz energética terá que mudar, englobando uma forte participação de energia solar e eólica. Será necessário redesenhar o sistema atual, fortemente baseado em geração centralizada em grandes usinas, para um sistema descentralizado com armazenamento de energia de forma eficiente. Esta alteração no perfil de geração de eletricidade terá que ser incorporada em nova política industrial, com o deslocamento de geração e uso de energia no território nacional. Nosso sistema de transporte, baseado exclusivamente em combustíveis fósseis, e no transporte individual terá que mudar, e pesquisas nas áreas de mobilidade urbana e logística industrial são fundamentais para isso.

Saber comunicar para a população e para os tomadores de decisão é tarefa essencial da ciência de hoje. A participação de especialistas em educação ambienta e comunicação poderá ajudar a melhorar a comunicação entre os cientistas, a população e os tomadores de decisões nos vários níveis de governo.

Participantes

Coordenadores
José Marengo 
Paulo Artaxo 

Participantes
Ana Paula Dutra de Aguiar
Edmo Campos 
Eduardo Delgado Assad
Eduardo Haddad
Fabio Scarano
Gilberto de Martino Januzzi
Luiz Drude de Lacerda 
Maria Assunção F. da S. Dias
Maria de Fátima Andrade
Marta Barata
Moacir Araújo
Paulo Moutinho
Regina Rodrigues
Reinhardt Adolfo Fuck 
Roberto Schaeffer
Sandra Hacon
Sergio Margulis
Tércio Ambrizzi

Técnico responsável
Vitor Vieira

Coordenadores
José Marengo 
Paulo Artaxo 

Participantes
Ana Paula Dutra de Aguiar
Edmo Campos 
Eduardo Delgado Assad
Eduardo Haddad
Fabio Scarano
Gilberto de Martino Januzzi
Luiz Drude de Lacerda 
Maria Assunção F. da S. Dias
Maria de Fátima Andrade
Marta Barata
Moacir Araújo
Paulo Moutinho
Regina Rodrigues
Reinhardt Adolfo Fuck 
Roberto Schaeffer
Sandra Hacon
Sergio Margulis
Tércio Ambrizzi

Técnico responsável
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