O progresso científico e tecnológico transforma o mundo contemporâneo e a vida na terra de forma cada vez mais acelerada. Para dar conta dos crescentes desafios enfrentados pelas sociedades - seja nos países desenvolvidos ou em desenvolvimento - um crescente número de cientistas, engenheiros, tecnólogos, técnicos, profissionais da saúde e da educação científica e tecnológica, dentre outros, se faz necessário. Juntos, estes profissionais poderão contribuir para enfrentar os grandes desafios hoje colocados, buscando para os mesmos soluções sustentáveis que permitam o desenvolvimento humano e a sustentabilidade do planeta. Dadas estas necessidades, devem ser oferecidas aos homens - e às mulheres - amplas oportunidades para o ingresso e exercício pleno em carreiras nas áreas de ciência e tecnologia. Mas ao tempo em que as mulheres constituem metade da humanidade, mesmo em países em que elas conquistaram acesso amplo ao ensino superior, o número de mulheres estudando matemática, física e engenharia - dentre outras carreiras tecnológicas - longe está de ser equitativo ao de homens. Mulheres talentosas e capazes acabam por ser, na maior parte das vezes, afastadas destas áreas e as que persistem, normalmente se vêem isoladas e marginalizadas. Como resultante, a participação das mulheres cientistas e engenheiras na força de trabalho global continua profundamente limitada, com as que labutam na área dificilmente chegando às posições de cume hierárquico na carreira. A ABC tem de longa data se preocupado com esse tema. Para fortalecer sua atuação nesta área, a ABC constituiu o Grupo de Estudos sobre Mulheres na Ciência. Reunindo proeminentes cientistas brasileiras, este grupo tem como desafio realizar ações que contribuam para a construção de um ambiente mais inclusivo às mulheres na Ciência brasileira.

Simpósio Fortalecendo a Presença das Mulheres na Ciência Brasileira

Rio de Janeiro – Dezembro de 2013. O Simpósio Fortalecendo a Presença das Mulheres na Ciência Brasileira foi realizado no dia 19 de dezembro de 2013, na sede da ABC, no Rio de Janeiro.

Questões de Gênero no Ensino de Ciências: Empoderando Meninas e Moças

Rio de Janeiro – Junho de 2010. Reunião percussora do Grupo de Estudos sobre Mulheres na Ciência foi a 7ª Reunião do Programa de Educação Científica da Rede Interamericana de Academias de Ciências (IANAS), sediada pela ABC em junho de 2010. Esta teve por foco a questão de gênero no ensino de ciências, abordando problemas específicos enfrentados pelas meninas em sala de aula, o desafio do empoderamento de meninas e moças em ciência e tecnologia, assim como o papel das Academias no esforço para a remoção de barreiras que acabam por afastar as meninas das carreiras nas áreas de C&T. A partir da sinergia criada neste evento, iniciou-se a discussão que evoluiu para a instituição do Grupo de Estudos sobre Mulheres para a Ciência.

Já há alguns anos a ABC tem buscado desenvolver ações voltadas para o estímulo e fortalecimento da participação da mulher na Ciência brasileira. Tal se deu não somente por questões morais, como também por razões práticas. A ciência e engenharia – que constituem ferramentas fundamentais para a sobrevivência, o desenvolvimento e a prosperidade da humanidade no Século XXI – são privadas cotidianamente da pujança que seria resultante da inclusão plena da mulher nestas áreas, trazendo para as mesmas um número maior de talentos, visões e experiências. Da mesma forma em que o talento não escolhe onde nascer, não escolhe sexo. Se pretendemos difundir a ciência e seus valores no mundo, potencializando ao máximo a capacidade desta em gerar avanços para a sociedade, devemos buscar os talentos onde estes estão. O empreendimento científico deve pertencer a todos, independente de nacionalidade, credo religioso, origem social, raça, ou sexo.

Um primeiro passo efetivo dado pela ABC no esforço de colaborar para a construção de um ambiente mais inclusivo para a mulher na ciência brasileira foi celebrado na parceria firmada, em janeiro de 2006, com a L’Oreal Brasil. A partir desta, foi lançado o programa “Para Mulheres na Ciência”, que tem por intuito estimular e apoiar a participação das mulheres brasileiras no cenário científico do país, ao laurear anualmente o trabalho de um grupo de jovens pesquisadoras com uma bolsa-auxílio no valor equivalente a vinte mil dólares. A cada ano, jovens doutoras que desenvolvem trabalhos científicos em instituições brasileiras de pesquisa – nas áreas de física, química, matemática, biomédicas, biológicas e da saúde – têm os seus trabalhos reconhecidos com a conquista do Prêmio “Para Mulheres na Ciência”. No período de 2006 a 2014, sessenta e um jovens e talentosas cientistas brasileiras tiveram seus trabalhos premiados. Esta distinção homenageia toda uma nova geração de cientistas brasileiras, que com seus exemplos inspiram novos talentos e futuras gerações.

Em paralelo, em junho de 2010 a ABC sediou, no Rio de Janeiro, a 7ª Reunião do Programa de Educação Científica da Rede Interamericana de Academias de Ciências (IANAS). Por sugestão da ABC, este encontro teve como foco a questão de gênero no ensino de ciências, abordando problemas específicos enfrentados pelas meninas em sala de aula, o desafio do empoderamento de meninas e moças em ciência e tecnologia, assim como o papel das Academias no esforço para a remoção de barreiras que acabam por afastar as meninas das carreiras nas áreas de C&T. A partir da sinergia criada neste evento, a ABC resolveu instituir um Grupo de Estudos sobre Gênero e Ciência.

Demarcando o início dos trabalhos deste Grupo de Estudos, a ABC promoveu, em 2013, o Simpósio “Fortalecendo a Presença das Mulheres na Ciência Brasileira: Problemas e Desafios”. O Grupo ora discute novas ações e o desdobramento de seus trabalhos.