O termo "doença negligenciada" data da década de 70 e refere-se a doenças causadas por agentes infecciosos e parasitários, como Doença de Chagas, Doença do Sono, Leishmanioses, Malária, Febre Amarela, Tuberculose, entre outros. Tais doenças tendem a ser endêmicas em populações de baixa renda, representando, portanto, um problema latente na África, Ásia e nas Américas. A adoção do adjetivo "negligenciada" tomou como base o fato de que tais enfermidades não despertam o interesse das grandes empresas farmacêuticas para a produção de medicamentos e vacinas. Além disso, a pesquisa neste setor não conta recursos suficientes, o que gera a escassez dos métodos de profilaxia disponíveis em todo o mundo. No Brasil, as doenças negligenciadas também sofrem com uma disponibilidade de recursos muito aquém do necessário ao seu combate. Nesse sentido, é um desafio para a comunidade científica brasileira criar meios de se diagnosticar, tratar e superar tais doenças com os orçamentos destinados ao setor. Visando prover subsídios para políticas governamentais relativas ao combate às doenças negligenciadas, a ABC criou, em 2009, um Grupo de Estudos sobre doenças infecto-contagiosas, coordenado pelo Acadêmico Wanderley de Souza , que resultou, em 2010, na publicação Doenças Negligenciadas, mais um volume da série Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento Nacional: Estudos Estratégicos, editada pela ABC.

Reunião do Grupo de Estudos de Doenças Negligenciadas

Rio de Janeiro, Brasil – Academia Brasileira de Ciências – Janeiro de 2011. Reunião dos integrantes do Grupo coordenado pelo Acadêmico Wanderley de Souza , constituído por membros da ABC e convidados, realizada em 31/01/2011.

Simpósio sobre Doenças Negligenciadas na Reunião Magna 2010

Rio de Janeiro, Brasil – Academia Brasileira de Ciências – Maio de 2010. Apresentações individuais de membros do Grupo de Estudos sobre Doenças Negligenciadas em evento que debateu os principais temas que englobam a área.

A cooperação entre os países Brasil e Índia sobre doenças infecciosas, iniciada no ano de 2008, apontou para a criação de um grupo para debater ações e pensar em soluções para a área das Doenças Negligenciadas. Nesse ano ocorreram dois encontros: o Meeting Indo-Brazil on Infectious Diseases e o Workshop Brasil-Índia sobre Doenças Infecciosas.

Em 2009 foi criado o Grupo de Estudos sobre Doenças Negligenciadas sob a coordenação do Acadêmico Wanderley de Souza . Integram o Grupo os Acadêmicos Carlos Medicis Morel , Eloi Garcia, Erney P. Camargo, Jorge Guimarães, Manoel Barral Netto  e Milton Ozório Moraes. Participam também o coordenador do Programa Acadêmico de Tuberculose na Faculdade de Medicina da UFRJ, Dr.Afrânio Lineu Kritski; a Dra. Elba Regina Sampaio de Lemos, da Fiocruz; o chefe da Seção de Arbovirologia e Febres Hemorrágicas do Instituto Evandro Chagas, Dr. Pedro Vasconcelos; a chefe do Laboratório de Biologia Celular de Fungos da UFRJ, Dra. Sônia Rozental; e Sérgio Fracalanza da UFRJ.

O ano de 2009 é o centenário da descoberta feita pelo cientista Carlos Chagas, publicada em 1909, quando o cientista descobriu o protozoário Trypanossoma Cruzi. Seus estudos englobam o ciclo de vida biológioco desse parasita, tanto no homem, quanto em animais experimentais. Essa descoberta é considerada a mais importante contribuição da Ciência Brasileira.

Em maio de 2010 aconteceu o primeiro Simpósio do Grupo de Estudos de Doenças Negligenciadas, como parte da programação da Reunião Magna, evento anual organizado pela Academia Brasileira de Ciências.

Os resultados do Grupo foram publicados em 2010 no livro Doenças Negligenciadas, em parceria com a Fundação Conrado Wessel (FCW), a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a Financiadora de Estudos e Projetos do Ministério da Ciência e Tecnologia (FINEP) e o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT).

Em janeiro de 2011 foi realizada uma reunião durante a qual integrantes do Grupo discutiram novas ações que assegurem a continuidade do avanço na área.