No meio do caminho tinha a química

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Publicado em 25/05/2017

A química, assim como a pesquisa científica, surgiram na vida de Nakédia Freitas Carvalho como por obra do acaso. Nascida em Campos dos Goytacazes, no interior do Estado do Rio de Janeiro, ela é a primeira e única de sua família a completar os estudos em nível superior. A jovem, que hoje é professora adjunta da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), quase seguiu para a área de informática. Mas o destino reservava na química boas surpresas para ela.

"O processo de escolha da carreira foi angustiante, como para a maioria dos jovens. Eu terminei o ensino médio com 16 anos e não sabia muito bem o que queria fazer. Sempre gostei de química, mas optei por fazer vestibular para informática, pois naquela época era uma área que estava em evidência", diz Nakédia. Mas a estudante não alcançou nota suficiente para entrar no curso. "Minha nota me permitia, no entanto, ingressar para o bacharelado em química com atribuições tecnológicas. Assim, eu entrei para o curso de química por acaso, o que se mostrou muito fortuito", afirma.

Seu encantamento pela área de pesquisa também se deu por um empurrãozinho do destino. Ela conta que só no quarto ano da graduação, quando entrou para a iniciação científica (IC), foi que decidiu pela carreira acadêmica. "Antes da IC eu não sabia se queria trabalhar na indústria ou na área acadêmica. Quando decidi, foquei totalmente meus estudos e esforços para a pesquisa. A iniciação científica foi muito importante para a minha formação acadêmica e amadurecimento profissional", ressalta a jovem cientista.

Nakédia fez o mestrado e o doutorado na área de química inorgânica, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).  "Estudei compostos de coordenação como catalisadores para a oxidação de hidrocarbonetos. Meu orientador Octavio Antunes foi muito importante para a minha formação científica e profissional. Ele sempre me inspirou pelo seu conhecimento amplo em diversas áreas. Meu outro orientador de mestrado, Adolfo Horn Jr., também teve grande participação na minha formação, especialmente na área de química de coordenação. Ele me ensinou, principalmente, a ter um grande rigor nas medidas experimentais e interpretação dos resultados", afirma Nakédia.

Dedicando-se à química inorgânica, com ênfase em catálise e química ambiental, a pesquisadora estuda compostos de coordenação e óxidos de metais de transição para aplicação como catalisadores da reação de oxidação da água. Ela explica que esta etapa é fundamental para a produção de energia a partir de fontes renováveis, pelo desenvolvimento de dispositivos para captação de energia solar e produção de combustível solar ou eletricidade. "Investigo também o preparo de catalisadores verdes e sustentáveis, a partir de nanopartículas de ferro oriundas de produtos naturais redutores e sua aplicação na descontaminação de poluentes orgânicos tóxicos provenientes de rejeitos industriais", conta a Acadêmica.

Como membro afiliado da ABC recém-empossada, Nakédia quer contribuir para a divulgação da ciência e para a popularização das atividades da universidade em que leciona, a Uerj. "É uma oportunidade para atuar mais fortemente nas atividades científicas do estado, especialmente nas que forem promovidas pela ABC. Também vejo uma chance para divulgar o nome da Uerj, que pela primeira vez tem dois docentes indicados como membros afiliados da ABC", diz.


(Aline Salgado, para NABC)



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