Água e mineração: ecoficiência hídrica e geração de valor

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Publicado em 04/05/2017

O gerente de tecnologia de Votorantim Metais, Adelson Dias de Souza, é doutor em engenharia de materiais pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), com especializações em gestão de negócios e gestão de projetos. No evento promovido pela ABC-UFMG-Fapemig realizado em 19 de abril, "Água na Mineração, Agricultura e Saúde: que a Ciência tem a dizer a partir de Minas Gerais", ele apresentou a empresa e seu trabalho voltado para ecoeficiência hídrica e geração de valor.

A Votorantim Metais é líder mundial na produção de óxido de zinco e a segunda maior na produção de pó de zinco. No Brasil, é a maior produtora de alumínio primário e a maior da América Latina em níquel eletrolítico. Através de sua subsidiária Metalex, é a maior empresa brasileira na reciclagem de sucata de alumínio. Tem dez núcleos no Brasil e outros no Peru, EUA e China.

Aqui no Brasil, a Votorantim atua em parceria com as universidades federais de Minas Gerais (UFMG), de Lavras (UFLA) e de Viçosa (UFV). "Essas parcerias de mão de dupla é que têm nos ajudado a sobreviver e sermos melhores", ressaltou Souza.

A preocupação com o crescimento sustentável e, portanto, com a eficiência hídrica e a eliminação de resíduos surgiu na Votorantim em 2005. "Desde 2003, já tínhamos resíduo zero. A meta é eficiência hídrica de 75% até 2025", afirmou o engenheiro.

No Peru, a empresa transforma água do mar em água potável, com resíduo zero e reciclagem total dos efluentes. Souza diz que o lema é efluente zero e rejeito zero. No Brasil, a usina de Morro Agudo, em Paracatu (MG), foi a primeira a chegar a rejeito zero. O rejeito da planta industrial foi transformado em produto de alto valor agregado para a agricultura, sendo vendido no mercado como Zincal 200. Na unidade de Juiz de Fora, em Minas Gerais, a empresa trabalha com educação para o reuso de água, tendo atingido uma taxa de 52m3/h em volume total recuperado. "Esta Unidade é ainda um modelo nacional de economia circular, pois reaproveita todo o pó de aciaria das unidades siderúrgicas do Sudeste", explica SOuza.

A unidade de Três Marias, em Minas Gerais está focada na ecoeficiência hídrica, que envolve reduzir o volume de água captada no rio São Francisco e, assim, contribuir para a sustentabilidade das operações. A unidade, que é voltada para a metalurgia de zinco, consumia 560m3 de água por hora em 2009 e até 2016 conseguiu baixar o consumo para 380m3 por hora. "Isto foi atingido por meio de campanhas educacionais e do monitoramento de efluentes e resíduos, com implantação de métodos de reuso. O trabalho nas escolas garantiu redução de 40% do uso de água", relatou Souza.

A Unidade de Três Marias é a única planta industrial de zinco a iniciar um trabalho de reciclagem de efluentes tratados. Lá está sendo implantado um piloto industrial para gerar 10m3/h de água reciclável, bem como obter deste tratamento um produto "combo" ou "vitaminado", que fornecerá micro e macronutrientes para a agricultura, muito eficaz em culturas de soja e café. O produto está sendo desenvolvido com a Universidade Federal de Lavras em casas de vegetação e unidades piloto de grandes fazendas da região. Sendo uma inovação, está sob sigilo de uma patente internacional.

Enfim, Adelson Souza mostrou um trabalho que integra conhecimentos da academia numa empresa nacional, realizado em escala industrial, que demonstra que investir em sustentabilidade pode dar retorno financeiro e, portanto, não pode ser contabilizado com gasto.

Leia outras matérias sobre o evento:

Água na mineração, agricultura e saúde: o que a ciência tem a dizer a partir de Minas Gerais

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(Elisa Oswaldo-Cruz para NABC)



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