Desenvolvendo vacinas mais eficazes e seguras

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Publicado em 31/03/2017

Helder Takashi Imoto Nakaya atribui as boas influências que guiam os rumos de sua vida aos familiares, amigos e profissionais com quem já cruzou. Embora nascido em Campinas, viveu boa parte sua infância no Rio de Janeiro, ao lado do Maracanã, onde constantemente ia torcer pelo time de coração: o Flamengo.

As brincadeiras da infância já indicavam o que viria a seguir. Sua maior diversão era brincar na floresta da Tijuca, coletando e colecionando insetos, fazendo armadilhas e sentindo-se "um explorador", como ele descreve. Filho do meio e único homem, só ele seguiu carreira acadêmica. A irmã mais velha é dentista e a mais nova, engenheira civil, influenciada talvez pelos pais, formados em engenharia mecânica pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). A mãe, no entanto - quinta mulher a se formar em engenharia na Unesp - dedicou-se à criação dos filhos depois de sofrer intenso machismo na área, sendo até mesmo chamada para uma entrevista de emprego apenas para que o recrutador "visse uma engenheira mulher". Além dela, a tia de Helder já havia enfrentado esse ambiente, tendo sido a primeira mulher formada engenheira naquela universidade.

A ciência fascinava a Helder desde criança. Ele relembra que ao estudar na escola a teoria de evolução de Lamarck, contou para a família, empolgado, tudo que havia aprendidoo naquele dia. Uma semana depois, então, tudo que tinha entendido caiu por terra ao descobrir as teorias de Darwin, com o mesmo professor. "Ele nos fez sentir o que os pesquisadores da época devem ter sentido. O legal foi a empolgação de entender algo e depois ter que trocar por algo que fizesse mais sentido", conta ele, argumentando, no entanto, que hoje avalia que Lamarck não esteve tão errado assim.

A decisão pela biologia veio da vontade de fazer engenharia genética, profissão sobre a qual havia lido em uma revista e que o encantou com a possibilidade de curar o câncer ou decidir a cor dos olhos de um bebê. Para isso, soube que teria que cursar biologia e passou para a Universidade de São Paulo (USP).  Lá estagiou sob a supervisão da Acadêmica Regina Pekelmann Markus e, já nos anos finais da graduação, com a professora Aline Maria da Silva, quando teve contato com a tecnologia de sequenciamento em larga escala. "Foi ela que me indicou o professor e também Acadêmico Sergio Verjovski, que, na época, estava aplicando a tecnologia de microarrays para estudar o câncer de próstata", conta Nakaya. O pós doutorado foi realizado na Emory University, em Atlanta, onde também foi contratado professor, em 2011. Atualmente é docente no Departamento de Análises Clínicas e Toxicológicas da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP e sua linha de pesquisa estuda os mecanismos celulares que influenciam as respostas imunológicas às vacinas. "Isso é aplicado na pesquisa de desenvolvimento de vacinas mais eficazes e seguras", explica o Acadêmico.

Helder vê como o aspecto mais interessante da ciência a possibilidade de testar hipóteses e a complexidade encontrada mesmo nas menores partículas e organismos. No entanto, vê a ciência como algo ainda pouco disseminado pela população em geral, de forma que as pessoas têm uma ideia errada do que é ser um cientista. "Quando digitamos 'médico' no Google imagens, aparecem imagens de pessoas respeitáveis, profissionais de saúde e que passam segurança. Se fizermos o mesmo digitando 'cientista', as imagens que aparecem são de pessoas loucas misturando tubos com líquidos verdes borbulhantes. Divulgar ciência para a sociedade requer uma mudança da visão das pessoas sobre ciência, uma 'alfabetização' científica da população. "

A titulação como Membro Afiliado da ABC (2017-2021) é, para ele, uma oportunidade de atuar ativamente na ciência. "Quero fazer minha pesquisa individual e também lutar pela ciência em geral no Brasil, formando alunos, fazendo divulgação científica para a sociedade e até fazendo lobby político", explica ele. E conta um sonho pessoal: criar um espaço onde seja possível ensinar ciência de forma diferente para as crianças, de maneira dinâmica, divertida e fora do ambiente escolar, abrangendo crianças de comunidades carentes.


(Thaís Soares para NABC, 31/03/2017)



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