Grupos do Projeto de Ciência para o Brasil apresentam resultados iniciais de suas pesquisas

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Publicado em 09/03/2017



Durante a quinta feira, 23 de fevereiro, auditório e salas da ABC foram tomados de Acadêmicos. Coordenadores dos 14 grupos de estudo do Projeto de Ciência para o Brasil reuniram-se para compartilhar os resultados iniciais de suas pesquisas.

Esta não foi a primeira reunião do grupo. Em outubro do ano passado, os coordenadores já tinham debatido os principais temas que cada um dos grupos poderia abordar, a metodologia que seria utilizada e os nomes de alguns cientistas que poderiam ser consultados a respeito dos temas. O mais recente encontro, no entanto, serviu para mostrar o que já vem sendo feito até aqui. Da primeira reunião para cá três novos grupos foram acrescentados ao projeto, que havia começado com 11 equipes.

O evento foi aberto pelos coordenadores gerais, Jerson Lima e José Galizia Tundisi. A primeira parte da reunião consistiu em uma breve apresentação dos coordenadores das áreas sobre os principais tópicos que já foram levantados pelos seus respectivos grupos. Em seguida, representantes dos outros grupos faziam sugestões ou tiravam dúvidas sobre os temas apresentados.

Um dos objetivos da reunião era ainda identificar pontos de interseção entre as equipes. A questão da água foi mencionada diversas vezes e se mostrou um ponto de grande presença em muitos dos grupos. O grupo de Cidades Sustentáveis-Inteligentes, por exemplo, vê este tema como principal de seus tópicos. Com o aumento da população urbana, é essencial estudar as formas de lidar com este elemento, explicaram. "Em breve, teremos 80% da população do mundo em cidades", reforçou o coordenador José Roberto Boisson (foto à esquerda).

Já para as Ciências Agrárias, analisar o uso de água pela agricultura tendo em mente que este é, atualmente, o maior gasto do recurso, é de suma importância. Ainda dentro do escopo de sustentabilidade entra a proposta do grupo de Energia, que lembrou, na reunião, de estudos sobre como gerar energia hidrelétrica sem represar a água, um dos maiores problemas da atividade atualmente.

O grupo de Recursos Mineiras foi outro que tocou no ponto. Para o coordenador Aroldo Misi, é necessário pensar a água como um recurso finito. Foi proposto que se analise o uso dela dentro da área estudada pelo grupo. "O consumo de água pelo setor da mineração é pequeno globalmente, mas regionalmente faz diferença. É importante integrar o reuso de água de diferentes ambientes, como o urbano, o da mineração e da agricultura", pontuou a Acadêmica Virgínia Ciminelli (foto à direita).

O estudo das Ciências Básicas foi identificado como influência importante em todas as áreas que estão sendo tratadas no projeto. Muitos grupos como o de Saúde e Novas Tecnologias do Século XXI viram necessidade de dialogar com esta equipe na produção de seus documentos. Para Glaucius Oliva, coordenador do grupo junto com Belita Koiller, um dos grandes desafios da ciência básica é entender como ela pode se relacionar com a tecnologia aplicada. Hoje, a agricultura é um bom exemplo de que essa conexão entre pesquisa básica e a aplicação na indústria pode ser feita com sucesso. Oliva ressalta, no entanto, que há que se fazer um esforço para "mostrar que a ciência básica é indissociável de qualquer visão de ciência do século XXI que possa ter transição para a sociedade". É objetivo do grupo tornar público os impactos da ciência básica para além das publicações. "Sem ciência básica, nunca teremos um país desenvolvido", completa Glaucius Oliva.

Além de muitos elos básicos que unem os estudos, principalmente com a ciência básica, a reunião serviu ainda para que alguns grupos localizassem pontos de apoio entre si em temas específicos. Os coordenadores dos estudos de Ciências do Mar e os de Mudanças Climáticas, por exemplo, viram a necessidade de se entender o que se passa nos oceanos para analisar tais mudanças.

Ao mesmo tempo, deficiências específicas das áreas tiveram espaço para serem expostas e explicadas pelos especialistas. Luiz Drude e Edmo Campos, que coordenam os estudos de Ciências do Mar, trouxeram a questão da falta de pesquisa básica na área e da falta de instituições que a represente. Citaram também a necessidade de cooperação internacional para este tipo de estudo, que é mais um aspecto que pode atravancar seu desenvolvimento.

Durante todo o evento foi reforçada a necessidade de que o documento que será gerado pelo trabalho destes grupos sirva como uma referência no plano de pesquisa e ciência no Brasil. Para isso, Tundisi ressaltou a importância de que os estudos sejam voltados para o entendimento geral, de forma que políticos do país tenham acesso fácil à estas ideias e que elas possam ser amplamente divulgadas pela mídia. Além disso, o projeto pretende fortalecer a ponte entre ciência e indústria, contemplando a opinião de nomes importantes do setor.


(Ascom ABC, 09/03/2017)



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